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Autotestes para COVID-19: pesquisa aponta caminhos para fortalecer a vigilância em saúde

O uso de autotestes para o diagnóstico da COVID-19 emergiu como uma estratégia importante para triagem durante a pandemia, especialmente em cenários de sobrecarga nos serviços de testagem e de emergência de saúde pública global. A doença afetou milhões de pessoas em mais de 223 países.  Contudo, a subnotificação associada a esses testes ainda é um desafio significativo para a vigilância epidemiológica. Foi nesse cenário que a bióloga e consultora técnica do Ministério da Saúde Thaís Bonato de Arruda realizou estudo no Mestrado Profissional do Programa VigiLabSaúde-Fiocruz para avaliar o desenvolvimento de novas tecnologias de vigilância durante a pandemia. Como parte do estudo, ela desenvolveu e analisou a usabilidade de um protótipo de registro eletrônico para notificação de resultados de autotestes.

Orientada pela Profª Dra. Yara Hahr Marques Hökerberg, do INI/Fiocruz, a pesquisa incluiu uma revisão integrativa sobre estratégias digitais de vigilância epidemiológica para a COVID-19 e um levantamento de softwares relacionados à pandemia no Brasil. Thaís identificou que 13,9% das plataformas digitais estrangeiras e 66,7% das plataformas estaduais e municipais brasileiras analisadas oferecem a funcionalidade de notificação de autotestes. Entretanto, no âmbito federal, não há plataformas com esse recurso.

A análise também mostrou como a crise sanitária impulsionou a criação de ferramentas digitais de vigilância. Porém, lacunas permaneceram, como a falta de centralização nas notificações e a necessidade de integrar essas plataformas aos sistemas nacionais de saúde. Como parte do estudo, Thaís desenvolveu um protótipo de registro eletrônico para notificação de resultados de autotestes, testado com 72 estudantes de pós-graduação da ENSP/Fiocruz.

A avaliação da usabilidade do protótipo, realizada com o questionário System Usability Scale (SUS) e a metodologia Heurística de Nielsen, revelou um desempenho médio de 64,08 pontos, apontando a necessidade de ajustes. Entre as melhorias sugeridas estão a inclusão de dados de localização e o aprimoramento do design e da funcionalidade do questionário.

Os resultados do estudo ressaltam a importância de incorporar ferramentas digitais às estratégias de vigilância participativa. Thaís destaca que a implementação de plataformas centralizadas e acessíveis para notificação de autotestes é essencial para uma resposta mais ágil e eficiente em futuras emergências sanitárias. Essa abordagem não apenas fortalece a capacidade de monitoramento da saúde pública, mas também promove a inclusão da sociedade no enfrentamento de crises sanitárias de importância nacional e internacional, valorizando a participação cidadã como parte fundamental da vigilância em saúde.

O trabalho foi defendido por Thais pelo Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia em Saúde Pública da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz), que faz parte do consórcio para oferta do Programa VigiLabSáude/Fiocruz.