Estudo destaca fatores associados a casos graves e óbitos por leptospirose em Santa Catarina

A leptospirose, uma doença infecciosa bacteriana aguda, é uma das zoonoses mais relevantes no Brasil, especialmente em regiões tropicais e subtropicais, devido à sua alta incidência e letalidade. Em Santa Catarina, entre 2013 e 2022, foram registrados 2.777 casos confirmados, analisados na dissertação de Alexandra Schlickmann Pereira, apresentada no Mestrado Profissional do Programa VigiLabSaúde-Fiocruz.

Variáveis sociodemográficas (sexo, idade, escolaridade, região de residência) e clínicas (sintomas, tempo entre início dos sintomas e atendimento) foram analisadas. A análise de incidência e letalidade foi conduzida para o estado e suas macrorregiões. Modelos de regressão logística univariada e multivariada foram aplicados para identificar fatores de associados.

Na avaliação, a letalidade foi de 3,6%. O estudo identificou que 88% dos casos ocorreram em homens, embora a letalidade tenha sido mais alta em mulheres (4,8%). Indivíduos acima de 50 anos apresentaram maior chance de agravamento, com destaque para aqueles com 60 anos ou mais (razão de chance ajustada de 2,38). Alterações respiratórias, insuficiência renal e contato com água de enchentes foram os principais fatores associados a casos graves e óbitos, enquanto sintomas como cefaleia mostraram uma associação inversa, sugerindo possíveis vieses de registro.

As análises regionais revelaram desigualdades significativas. A macrorregião Grande Oeste apresentou melhores indicadores, enquanto a Foz do Rio Itajaí registrou o maior risco de óbito (RC ajustada de 13,12). Em contraste, a Serra Catarinense destacou-se pela baixa incidência e ausência de óbitos. O trabalho conclui que estratégias direcionadas, como priorizar populações vulneráveis, especialmente idosos, e intensificar ações preventivas em períodos de enchentes, são cruciais para reduzir os impactos da leptospirose no estado.

A pesquisa foi orientada pelo prof. doutor Daniel Savignon Marinho (ENSP/Fiocruz) e avaliada por uma banca composta pelos professores Cleber Nascimento do Carmo (ENSP/Fiocruz) e Claudio Manuel Rodrigues (CDTS/ Fiocruz), reforçando a importância da vigilância epidemiológica para mitigar os desfechos graves dessa doença.