
Dissertação analisa disparidades na incidência de tuberculose em populações indígenas e não indígenas no Amapá
A tuberculose (TB), uma das maiores ameaças à saúde pública mundial, impacta desproporcionalmente minorias étnicas, incluindo as populações indígenas, que enfrentam barreiras históricas e estruturais no acesso à saúde. Esses desafios foram o foco da dissertação de Alexandre Furtado da Silva, apresentada no Mestrado Profissional em Epidemiologia em Saúde Pública da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (ENSP/Fiocruz), que compõe o consórcio para a oferta do Programa VigiLabSaúde-Fiocruz.
Intitulado "Casos de tuberculose em população indígena e não indígena notificados no estado do Amapá, no período de 2010 a 2022", o trabalho buscou compreender as desigualdades que afetam os povos indígenas no enfrentamento da TB. Baseado em um estudo epidemiológico retrospectivo e analítico, Alexandre Furtado analisou dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) referentes ao período de 2010 a 2022 no estado do Amapá. Os resultados evidenciaram uma incidência significativamente maior de TB entre a população indígena em comparação à não indígena.
A pesquisa destacou que fatores como superlotação, ventilação insuficiente, insegurança alimentar, pobreza e preconceito étnico perpetuam a vulnerabilidade dos povos indígenas. Essas condições não apenas intensificam a disseminação da TB, mas também dificultam o acesso aos serviços de saúde.
Entre as recomendações, o autor sugere campanhas de conscientização que integrem saberes tradicionais e práticas culturais, além do fortalecimento da colaboração entre órgãos de saúde, comunidades indígenas e pesquisadores. A continuidade de investigações voltadas às dinâmicas da TB em grupos vulneráveis é essencial para desenvolver estratégias mais inclusivas e eficazes, promovendo a equidade em saúde no Amapá.
A dissertação de Alexandre Furtado foi orientada pelo professor doutor Paulo César Basta (ENSP/Fiocruz) e contou ainda com a participação das professoras doutoras Ida Viktoria Kolte (ENSP/Fiocruz) e Jocieli Malacarne (IFF/Fiocruz) como avaliadoras. O trabalho representa uma importante contribuição ao debate sobre saúde pública e desigualdades sociais, reforçando a necessidade de políticas específicas que respeitem as particularidades culturais e enfrentem as barreiras estruturais que impactam populações indígenas no Brasil.