
Dissertação de egressa do Programa VigiFronteiras-Brasil/Fiocruz é reconhecida internacionalmente pela ONU como prática promissora em saúde materna indígena
A dissertação de Cristiane Ferreira da Silva, egressa do Programa de Pós-Graduação em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA/Fiocruz Amazônia), integrante do consórcio para oferta do Programa VigiFronteiras-Brasil/Fiocruz, foi selecionada pela Organização das Nações Unidas (ONU), por meio do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), como uma das cinco melhores práticas de saúde materna indígena das Américas. O estudo, intitulado "Saberes e práticas das parteiras indígenas: possibilidades de inclusão na Saúde Indígena do DSEI Alto Rio Solimões, Amazonas", foi apresentado durante o Simpósio Regional Intercultural das Américas sobre Saúde Materna de Mulheres Indígenas, realizado na Cidade do México nos dias 29 e 30 de outubro de 2024.
“Com muito orgulho e surpresa para mim e para meu orientador, minha dissertação foi escolhida em um mapeamento global como uma prática promissora no Brasil. Pela primeira vez, o Brasil foi chamado e tivemos um momento para apresentação. Foi muito emocionante quando pediram que eu representasse o país após explicarem como selecionaram as práticas. Eu pude sentir que tinha o compromisso de ajudar na construção de políticas publicas levando a importância da academia nesta caminhada,” comentou Cristiane, emocionada. Atualmente, a egressa do VigiFronteiras-Brasil/Fiocruz é a responsável técnica pela Saúde da Mulher do Distrito Sanitário Especial Indígena do Alto Rio Solimões (DSEI-ARS), onde trabalha há 20 anos.
"O reconhecimento internacional reforça a relevância do trabalho desenvolvido por Cristiane, que mapeou as práticas das parteiras tradicionais indígenas DSEI-ARS, revelando desafios e propondo soluções para integrar esses saberes tradicionais à biomedicina", ressaltou o professor Júlio Cesar Schweickardt, que orientou o estudo no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia da Fiocruz Amazônia.
A pesquisa identificou que 52% dos partos na região são conduzidos por parteiras tradicionais, que desempenham papel crucial no cuidado às gestantes em comunidades de difícil acesso. Trouxe à tona a importância de políticas públicas que reconheçam e valorizem as parteiras tradicionais, fornecendo-lhes capacitação, recursos e apoio para superar desafios como a falta de biossegurança, dificuldades socioeconômicas e educacionais. Além disso, a pesquisa destacou a necessidade de estratégias que promovam um cuidado intercultural efetivo, propondo a atualização da Declaração de Nascido Vivo para incluir os nascimentos em aldeias indígenas.
“O reconhecimento da pesquisa de Cristiane Ferreira não apenas celebra a relevância do tema, mas também dá visibilidade à necessidade de fortalecer o diálogo entre os saberes tradicionais e as práticas biomédicas no Brasil”, comentou Eduarda Cesse, coordenadora Geral de Educação da Fiocruz e coordenadora do Programa VigiFronteiras-Brasil. “O Programa VigiFronteiras/Brasil foi a melhor coisa que aconteceu em minha vida. Pois foi o primeiro mestrado que tivemos em nossa região para saúde e eu pude ter a oportunidade de estar cursando o mestrado remotamente. Os aprendizados que o mestrado me trouxe são incalculáveis. Sou eternamente grata”, complementou.
A dissertação é um exemplo do impacto das pesquisas realizadas no âmbito do Programa VigiFronteiras-Brasil/Fiocruz, que visa fortalecer a vigilância em saúde em territórios de fronteira e populações vulneráveis. Este reconhecimento pela ONU destaca, ainda, a importância do investimento em estudos que ampliem o entendimento e a valorização das práticas culturais locais como pilares para a construção de políticas públicas inclusivas.
Sobre o simpósio - O simpósio no qual ocorreu o reconhecimento do trabalho de Cristiane contou com a presença de 75 pessoas, representantes dos ministérios da saúde, instituições prestadoras de serviços de saúde dos governos nacionais e locais de 15 países e as organizações de mulheres indígenas e parteiras de 15 povos indígenas. O encontro coorganizado pelo Fundo de População das Nações Unidas - UNFPA, o Governo do México e o Elo Continental de Mulheres Indígenas das Américas (ECMIA). Contou com a participação do Conselho de Parteiras Canadenses (CAM), da Confederação Internacional de Parteiras (ICM), da Organização Andina de Saúde - ORAS CONHU, da Secretaria Executiva do Conselho de Ministros da Saúde da América Central e da República Dominicana - SE- COMISCA e da Organização Pan-Americana da Saúde – OPAS.
A ex-aluna já tinha sido recebido Menção Honrosa do VIII PRÊMIO MÁRIO QUINTANA no 16º Congresso Internacional da Rede Unida, pelo trabalho intitulado "Ações alusivas ao Março Lilás, Mês de Prevenção ao Câncer de Colo de Útero no Distrito Sanitário Especial Indígena Alto Rio Solimões, Amazonas". O evento ocorreu de 31 de julho a 3 de agosto de 2024, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, em formato híbrido.