Nível de conhecimento sobre as formas biomédicas de prevenção do HIV em minorias sexuais e de gênero no Brasil em 2021: um estudo epidemiológico transversal

Autor(a)
Kayser Rogério Oliveira da Silva
Orientador(a)
Paula Mendes Luz
Tipo
Dissertação
Programa consorciado
Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia em Saúde Pública (PPGEPI)
Categoria do curso
Mestrado Acadêmico
Ano da Defesa
Descrição

O presente trabalho investiga o nível de percepção das formas biomédicas de prevenção do HIV em minorias sexuais e de gênero no Brasil, levando em consideração a transmissão, prevenção e tratamento do HIV assim como o conceito I=I(indetectável = intransmissível), a TASP (tratamento como prevenção), a profilaxia pré-exposição (PREP), e a profilaxia pós-exposição (PEP), buscando descrever a correlação entre os conhecimentos das formas biomédicas de prevenção ao HIV, fatores sociodemográficos e comportamentais que estão associados ao alto o nível de conhecimento sobre a transmissão, prevenção e tratamento do HIV e sobre a correta percepção do conceito I=I, identificando os subgrupos possíveis que essas estratégias de prevenção podem alcançar.

Métodos: Estudo transversal baseado na web direcionado a adultos MSG residentes no Brasil (2021-2022) recrutados em mídias sociais e aplicativos de encontro. Utilizamos o questionário de Avaliação de Conhecimento sobre HIV (HIV-KA) de 12 itens para avaliar o conhecimento, o qual contem três itens que abordam a profilaxia pré-exposição, a profilaxia pós-exposição e a TasP. A percepção sobre o conceito I=I foi avaliada com a pergunta: "Indetectável = Intransmissível (I = I), ou seja, pessoas que têm HIV e são indetectáveis não transmitem HIV pelo sexo: quão correta é essa afirmativa?". Agrupamos a priori a população do estudo emtrês grupos mutuamente exclusivos: pessoas que vivem com HIV (PVHIV), HIV negativos e pessoas com status sorológico desconhecido ou HIV desconhecido. Utilizamos modelos de regressão logística para avaliar os fatores associados ao alto conhecimento sobre o HIV e a percepção do conceito I=I como completamente correto.

Resultados: Dos 50.222 indivíduos que acessaram o questionário, 24.122 (48%) preencheram o questionário, 23.981 (47,74%) foram incluídos: 5.071 (21,0%) PVHIV, 17.257 (71,5%) HIV negativos e 1.653 (6,9%)pessoas com status sorológico desconhecido. A proporção de participantes com alto nível de conhecimento foi significativamente maior para PVHIV e HIV-negativos (48,1% e 45,5% respectivamente) em comparação com 26,1% de pessoas com status sorológico desconhecido. Mais PVHIV consideraram o I=I como completamente correto (80,4%), em comparação com 60% dos HIV negativos e 42,9% das pessoas com status sorológico desconhecido. O conhecimento sobre o HIV está correlacionado com a percepção do conceito I=I como completamente correto em todos os grupos.

Conclusões: O conhecimento sobre as estratégias e práticas de prevenção ao HIV pode influenciar na adoção de medidas que minimizem a propagação do vírus, quanto maior o número de indivíuos conhecedores do tema, principalmente as minorias sexuais e de gênero, o "fazer saúde" deixará de ser um cargo restrito a profissionais da área e passará para um trabalho conjunto entre as partes, resultando na promoção da saúde concernente ao HIV