O perfil epidemiológico dos portadores de tuberculose nas cidades gêmeas e faixa de fronteira do Brasil de 2012 a 2021
A tuberculose é uma doença causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, afetando principalmente os pulmões. Ela é a uma das maiores causas de morte global e antes da pandemia do coronavírus 19, era a doença infecciosa que mais matava no mundo. O Brasil por ser um país extenso, apresenta diferenças em relação aos indicadores da tuberculose. Em regiões de fronteiras, o controle da doença é considerado um grande desafio, principalmente em cidades gêmeas, onde existe a mobilidade populacional e a migração, dificultando o diagnóstico oportuno e a adesão ao tratamento, conferindo maior vulnerabilidade aos indivíduos que vivem nestas regiões. Analisar o perfil epidemiológico dos pacientes com tuberculose, residentes em todas as cidades gêmeas e faixa de fronteira do Brasil nos anos de 2012 a 2021. Trata-se de um estudo epidemiológico descritivo, com dados secundários, provenientes do Sistema de Informação de Agravos de Notificação, onde se caracteriza o perfil epidemiológico dos casos de tuberculose ocorridos em indivíduos residentes em cidades gêmeas e faixa de fronteira do Brasil no período de janeiro de 2012 a dezembro de 2021.
Analisou-se variáveis clínico epidemiológicas e sociodemográficos relacionadas a tuberculose e variáveis relacionadas a cidades gêmeas, faixa de fronteira e fora da faixa de fronteira de estados que fazem fronteira com outros países De 2012 a 2021 foram notificados 895.397 casos de tuberculose em todo Brasil. Destes casos, 30.641 foram na faixa de fronteira, nas cidades gêmeas brasileiras esse total foi 5.944 casos. As maiores taxas de incidência de tuberculose foram no Arco Norte, sendo as cidades gêmeas de Tabatinga- AM, Assis Brasil-AC e Santa Rosa do Purus-AC com as piores taxas desse arco. No Arco Central as piores incidências foram nas cidades gêmeas de Coronel Sapucaia, Paranhos e Corumbá, todas no estado de Mato Grosso do Sul. Já as cidades gêmeas de Foz do Iguaçu e Uruguaiana foram as que se destacaram por incidências mais elevados no Arco Sul.
Apesar da tuberculose estar intimamente ligada as condições de vida que atingem a faixa de fronteira, os dados apresentados neste trabalho apresentaram realidades distintas entre os diferentes arcos de fronteira, refletindo que o Brasil tem dimensões continentais e não deve ter a mesma política pública para toda a extensa faixa de fronteira, desta forma evidencia-se a necessidade de existir um planejamento que leve em consideração as especificidades dentro de cada realidade e suas necessidades mais urgentes.
