Análise da distribuição temporal das neuropatias periféricas, na 9ª regional de saúde do Estado do Paraná, no período de 2008-2022
A neuropatia periférica é uma condição clínica caracterizada lesão dos nervos do sistema nervoso periférico, sensitivos e/ou motores, geralmente é uma doença rara, porém grave. Dentre as neuropatias periféricas a Síndrome de Guillain-Barré é a polineuropatia inflamatória mais prevalente. As causas associadas ao desenvolvimento de SGB são inúmeras, podem ser classificadas em infecciosas e não infecciosas, sendo que em dois terços dos casos um ocorre após uma infecção. Emergências em saúde pública têm se tornando cada vez mais frequentes, devido ao surgimento, a disseminação e propagação de agentes etiológicos e doenças de natureza infecciosa. A SGB tem sido associada a infecções anteriores pelo vírus da DENV, CHIKV, ZIKV e SARS-CoV-2.
Esse estudo tem por objetivo analisar a tendência temporal, no período de 15 anos, das hospitalizações ocasionadas por doenças neurológicas periféricas, considerando a região de tríplice fronteira Brasil – Argentina – Paraguai e associálas as emergências de saúde pública, sobretudo as arboviroses. Trata-se de um estudo ecológico de séries temporais de hospitalizações por neuropatias periféricas, arbovírus e vírus respiratórios, além de um estudo descritivo do tipo série de casos, retrospectivo no nível de atenção terciária no município de Foz do Iguaçu/PR. Para o estudo ecológico os dados foram extraídos do Sistema de Informações Hospitalares (SIH), Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), SIVEP-Gripe e NOTIFICA COVID-19. Para o estudo descritivo os dados foram coletados via prontuário eletrônico do paciente pelo software Tasy do Hospital Padre Germano Lauck. A tendência temporal foi analisada utilizando o algoritmo de Farrington, que observa períodos de surtos considerando a distribuição anterior da doença.
Foram analisadas as variáveis sociodemográficas, epidemiológicas e clínicas de interesse dos pacientes hospitalizados por neuropatias periféricas, além de investigar possíveis infecções prévias ao desenvolvimento do quadro neurológico, considerando a data limite os últimos 30 dias anteriores ao quadro de polineuropatia. As análises dos casos determinaram que houve aumentos significativos no ano de 2010 (n=10 casos) e no período do anos 2015, 2016 e 2017, observamos a tendência de ascensão dos casos com um pico em 2017 (n=12 casos) e também estimamos um surtos de casos de arboviroses no ano de 2016. Ao correlacionar à distribuição temporal das NP com a incidência de outras viroses, pudemos observar que, ocorreram durante as epidemias causadas pelo DENV e a introdução do ZIKV na região, picos de hospitalizações por neuropatias periféricas.
