Incidência de Dengue em Cidades Gêmeas de Fronteira: municípios de Epitaciolândia e Brasiléia (Brasil) e Cobija (Bolívia)

Autor(a)
Sheila Andrade Vieira
Orientador(a)
Raphael Mendonça Guimarães
Tipo
Dissertação
Programa consorciado
Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública e Meio Ambiente (PPGSPMA)
Categoria do curso
Mestrado Acadêmico
Ano da Defesa
Descrição

A dengue é uma das doenças tropicais negligenciadas mais importantes do mundo, é descrita pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como a doença viral transmitida por vetores com a dispersão mais rápida e, portanto, tem enorme potencial para causar grandes epidemias em todo o mundo. Em regiões de fronteiras, as barreiras delimitadas por critérios político-administrativos tornam as ações de vigilância e controle de doenças, entre elas a dengue, ainda mais difíceis, haja vista os aspectos jurídicos e econômicos envolvidos.

Este trabalho teve como objetivo avaliar a incidência e o fluxo de vigilância epidemiológica da dengue nos municípios de Epitaciolândia e Brasiléia (Brasil) e Cobija (Bolívia) no período de 2020 a 2022. A população de estudo incluiu os casos confirmados de dengue no período avaliado. As informações sobre os casos confirmados nos municípios de Epitaciolândia e Brasiléia foram obtidas diretamente do setor de Vigilância Epidemiológica das secretarias municipais de saúde, por meio das fichas de notificação do Sistema de Informação de Agravos de Notificação – SINAN. As informações de Cobija foram disponibilizadas pela Secretaria de Saúde, por meio das fichas de notificação do Sistema Nacional de Informação em Saúde (SNIS) e Programa de Prevenção e Controle de Dengue. Foi realizada a descrição do fluxo de vigilância epidemiológica da dengue dos três municípios. As informações foram adquiridas por meio de visitas às secretárias de saúde dos municípios e conversa formal com a equipe de vigilância epidemiológica.

No período avaliado, foram notificados 8.267 casos suspeitos de dengue, sendo 9,6% (n=790) no município de Epitaciolândia, 19,9% (n=1.647) no município de Brasiléia e 70,5% (n=5.830). Destes casos suspeitos notificados, foram confirmados 34,2% (n=2.821), com maior frequência no município de Cobija, 46,9% (n=1.324). O ano de 2020 apresentou maior taxa de incidência no período avaliado para os três municípios, com 2.246 casos/100 mil habitantes para Epitaciolândia, 1.241 casos/100 mil habitantes casos para Brasiléia e 786,6 casos/100 mil habitantes para Cobija. O ano de 2022 apresentou o menor número de casos confirmados e menores taxas de incidência, sendo a maior taxa para o município de Epitaciolândia, 277,2 casos/100 mil habitantes. Estes mostram que a Dengue é uma doença que está presente na região e que precisa de uma abordagem multidisciplinar para a implementação de estratégias de vigilância e controle, a partir do conhecimento dos fatos sociodemográficos e epidemiológicos de cada município e com foco em uma vigilância ativa entre municípios fronteiriços.