Vacinação Infantil em Municípios de Fronteira do Mato Grosso do Sul: análise temporal da cobertura vacinal e da homogeneidade

Autor(a)
Milleny Sutier de Carvalho
Orientador(a)
Aline Araújo Nobre
Tipo
Dissertação
Programa consorciado
Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia em Saúde Pública (PPGEPI)
Categoria do curso
Mestrado Acadêmico
Ano da Defesa
Descrição

Ao longo dos séculos, a vacinação tem-se consolidado devido aos notáveis resultados demonstrados em nível mundial na Saúde Pública, com impacto considerável na morbimortalidade por doenças infecciosas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda uma cobertura vacinal (CV) de pelo menos 90% para manter a erradicação, eliminação ou controle de doenças preveníveis por vacinação. Mesmo com tantas evidências científicas que comprovam a eficácia da vacinação, observou-se, nos últimos anos, um aumento da hesitação vacinal, particularmente relacionado à propagação de movimentos contrários à imunização. Os riscos em regiões de faixa de fronteira, especialmente nas cidades gêmeas, tornam-se ainda mais evidentes devido ao elevado fluxo de populações flutuantes. Objetiva-se analisar as tendências temporais das coberturas vacinais em crianças de 0 a 12 meses de idade, para todas as vacinas indicadas para essa faixa etária e oferecidas pelo SUS, e a homogeneidade nos municípios do estado do Mato Grosso do Sul (MS), no período de 2010 a 2021, avaliando diferenças entre municípios de fronteira internacional e os outros municípios do estado. Utilizamos um estudo ecológico analítico com abordagem temporal, baseado em dois indicadores de imunização: homogeneidade e cobertura vacinal.

Os municípios foram classificados nos grupos: faixa de fronteira, cidades gêmeas e outros municípios do estado. Gráficos de colunas e de linhas foram utilizados para comparar os indicadores ao longo do período Foram ainda ajustados modelos aditivos com a CV como variável resposta e o grupo de municípios como variável independente. Para acomodar a tendência temporal da CV, foi adicionada uma função suave no ano de notificação. Com isso os resultados demonstraram que a meta de 70% de homogeneidade das coberturas vacinais foi atingida apenas entre 2013 e 2015 no estado, para todos os imunobiológicos avaliados, exceto para Febre Amarela em 2015 (63,3%). A partir de 2016, verificou-se uma queda acentuada no nível de homogeneidade. Em média, foi observada uma CV menor tanto nos municípios de faixa de fronteira quanto nas cidades gêmeas, em comparação com os municípios não fronteiriços para todas as vacinas, exceto para BCG. Assim, os resultados obtidos corroboram a hipótese de que a CV na região de fronteira está abaixo do preconizado, ressaltando a importância da vigilância nessa região por se tratar de uma porta de entrada para a disseminação de doenças no país.