Distribuição espacial e evolução temporal da incidência de tuberculose na fronteira de Santa Catarina, Brasil e Misiones, Argentina, 2009-2021
A tuberculose (TB) é uma doença infectocontagiosa que apesar de ser muito antiga permanece como um problema de saúde pública mundial a ser enfrentado. A região de fronteira internacional entre Brasil e Argentina apresenta um grande fluxo populacional e concentração de grupos vulneráveis tornando o cenário favorável para a ocorrência da doença. Nosso objetivo foi analisar a distribuição espacial e a evolução temporal da incidência de tuberculose nos municípios pertencentes a região de fronteira internacional entre o estado de Santa Catarina, Brasil e da província de Misiones, Argentina no período de 2009 a 2021.
Realizamos um estudo ecológico e estimamos a incidência da tuberculose que foi georreferenciada utilizando as bases de dados secundários dos sistemas de informação de notificação de casos dos dois países. Para detectar os padrões de distribuição espacial foram construídos mapas temáticos com as taxas médias de incidência de tuberculose brutas e padronizadas por idade, com as taxas suavizadas bayesiana empírica global e média móvel espacial. Na avaliação da autocorrelação espacial e identificação de Clusters espaciais foram calculados o Índice de Moran global e local.
Para classificar a evolução temporal e verificar mudanças de tendência foram realizadas análises de regressão Joinpoint. Identificamos um padrão de distribuição espacial heterogêneo da TB, autocorrelação espacial positiva, presença de Clusters espaciais e tendência de crescimento de casos na região de estudo. Além disso, observamos que a faixa etária adulta e o sexo masculino são os mais acometidos pela doença. As áreas Norte, Noroeste e Sudoeste da região de estudo, localizadas na parte Argentina, concentraram a maioria dos casos, o que caracteriza uma área de elevada transmissão de TB, e a área Leste, situada na parte brasileira, apresentou as menores taxas de incidência de TB incluindo municípios silenciosos, o que chama a atenção, dentre outros, para a subnotificação de casos. Concluindo, devido a esta região de fronteira apresentar autocorrelação espacial positiva, presença de Clusters espaciais e tendência de crescimento de casos tuberculose, considera-se necessário para o controle da TB ações de todos os países que tem fronteira comum, como o aprimoramento das políticas públicas e dos indicadores da tuberculose, o firmamento de acordos bilaterais para financiamento e oferta de assistência em saúde, gestão compartilhada de sistemas de dados e programas de saúde pública, bem como serviços de vigilância em saúde integrados para assim alcançar efetivas medidas de promoção da saúde, mitigação e controle da propagação da tuberculose com uma abordagem específica e direcionada a situação da doença descrita neste estudo para cada localidade
