Internações hospitalares de Venezuelanos no Brasil: o caso de Roraima

Autor(a)
Emerson Ricardo de Sousa Capistrano
Orientador(a)
Carla Lourenço Tavares de Andrade
Tipo
Dissertação
Programa consorciado
Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública (PPGSP)
Categoria do curso
Mestrado Acadêmico
Ano da Defesa
Descrição

Introdução: A Venezuela, que já foi considerado um dos países mais ricos e desenvolvidos da América do Sul, fruto da grave crise econômica e política, vive um colapso no seu sistema de saúde levando a desassistência de sua população e ao ressurgimento e disseminação de doenças antes controladas e erradicadas e um forte processo migratório de sua população para outros países. Objetivo: Analisar as internações de Venezuelanos na rede hospitalar pública do estado de Roraima, entre os anos 2010 e 2022 e descrevê-las segundo suas características sociodemográficas. Metodologia: Estudo observacional do tipo descritivo de abordagem quantitativa e retrospectiva utilizando dados secundários sobre internações hospitalares coletados do Sistema de Internações Hospitalares do SUS (SIH/SUS), referentes ao período de 2010-2022.

Resultados: Entre 2010 e 2022 ocorreram 488.639 internações no estado de Roraima sendo 33.716 de pacientes venezuelanos - 6,9%. (variando de 0,5% em 2010, 17,1% em 2019 e 13,4% em 2022). As principais causas de internação: Gravidez parto e puerpério (XV) – 51,7%, Doenças do aparelho respiratório (X) – 8,6%, Lesões envenenamento e algumas outras consequências de causas externas (XIX) – 6,5% e Algumas doenças infecciosas e parasitárias (I) - 6,4%. Segundo o caráter de atendimento, 95,7% foram urgências, o maior número de internações foi registrado em mulheres – 75,4% e a faixa etária de maior registro foi a de 15-49 anos – 76,3%derando ambos os sexos. O tempo médio de internação foi de 5,4 dias, o custo médio (R$) foi de 797,76 Considerações: O SIH/SUS captou a dinâmica da movimentação da população venezuelana sob o ponto de vista de internação hospitalar no estado de Roraima. Os dados apontam para a derrocada do sistema de saúde venezuelana no combate as doenças e a desassistência e suas consequências frente a uma população já vulnerável econômica e socialmente. Não há como definir se as internações ocorridas são de venezuelanos residentes e domiciliados em Roraima, de forma legal, ilegal, refugiada ou uma população que, pelo fato de ser migrante e dadas as condições precárias do sistema de saúde venezuelana descritos, vem ao estado apenas em busca de utilizar os serviços de saúde disponíveis