Análise do cumprimento do calendário vacinal em pré-escolares do município de Tabatinga, Amazonas, na tríplice fronteira Brasil, Colômbia e Peru

Autor(a)
Gonçalo Ferreira da Silva Filho
Orientador(a)
Fernandes José Herkrath
Tipo
Dissertação
Programa consorciado
Programa de Pós-Graduação em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA)
Categoria do curso
Mestrado Acadêmico
Ano da Defesa
Descrição

Nos últimos anos tem sido observada uma queda preocupante nas coberturas vacinais, relacionada a diversos fatores. Assim, o objetivo do estudo foi analisar o cumprimento do calendário vacinal de pré-escolares, assim como os fatores associados ao não cumprimento, em Tabatinga, Amazonas, Brasil, município que faz fronteira com a Colômbia e o Peru. Trata-se de um estudo do tipo observacional transversal, realizado com pré-escolares da educação infantil dos estabelecimentos públicos de ensino da área urbana do município. Foi realizada avaliação da caderneta de vacinação da criança de acordo com a idade e entrevista domiciliar com os responsáveis, incluindo questões sobre o comportamento e percepções relacionadas à vacinação. Após a análise descritiva dos dados, foi realizada análise de regressão de Poisson com variância robusta, estimando as razões de prevalência e respectivos intervalos de confiança a 95% para identificar os fatores associados com o não cumprimento do calendário vacinal.

Foram avaliados no estudo 306 pré-escolares, sendo observado que as doses de reforço para febre amarela, tríplice bacteriana, vacina oral contra a poliomielite, além das vacinas contra a varicela e covid-19 eram as que apresentavam maiores números de não vacinados, algumas com percentual de vacinação abaixo de 60%. A maioria dos pré-escolares tinham entre um a três imunizantes em atraso e o principal motivo relatado para atraso na vacinação foi o esquecimento para as vacinas do calendário básico e medo da reação da vacina para a vacinação contra a covid-19. O atraso no cumprimento do calendário vacinal foi mais prevalente nos filhos dos responsáveis que relataram ter recebido aviso de vacina em atraso (RP=3,43; IC95% 1,68-7,01), que já haviam voltado da unidade de saúde sem conseguir vacinar o filho (RP=1,43; IC95% 1,17-1,75) e que não referiram discordar dos grupos antivacinas (RP=1,24; IC95% 1,04-1,48).

Os achados do estudo evidenciaram as doses dos imunizantes com menores percentuais de aplicação na população de estudo, além de um quantitativo expressivo dos pré-escolares que haviam sido vacinados com atraso. Evidenciou-se uma queda da vacinação para as vacinas preconizadas a partir dos quatro anos de idade, em especial as vacinas de reforço contra a febre amarela, tríplice bacteriana, vacina oral contra a poliomielite e contra a varicela e a vacina contra a covid-19. Diante do papel relevante da atenção primária à saúde identificado no município, a reorientação dos serviços e qualificação da atuação das equipes de saúde da família favoreceriam a implementação de ações eficazes em garantir o cumprimento do calendário vacinal pela população adscrita, em especial diante dos desafios adicionais impostos à vigilância epidemiológica diante da complexa dinâmica de uma região de fronteira trinacional.