A Covid-19 e o cotidiano dos serviços de Saúde Indígena na região de Tríplice Fronteira Amazônica

Autor(a)
Raynara de Araújo Evangelista
Orientador(a)
Rodrigo Tobias de Sousa Lima
Tipo
Dissertação
Programa consorciado
Programa de Pós-Graduação em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia. (PPGVIDA)
Categoria do curso
Mestrado Acadêmico
Ano da Defesa
Descrição

A pandemia de COVID-19 assolou a população mundial, em especial os grupos de maior vulnerabilidade socioeconômica como as comunidades indígenas. Objetivos: Analisar as medidas sanitárias utilizadas pelas equipes multiprofissionais e pela gestão dos serviços de saúde do Distrito Sanitário Especial Indígena do Alto Rio Solimões, Amazonas, Brasil. Método: trata-se de estudo de abordagem qualitativa e descritiva sobre as medidas sanitárias adotadas ao COVID-19-19 na aldeia indígena de Feijoal, pertencente ao DSEI Alto Rio Solimões, localizada na tríplice fronteira Brasil/Peru/Colômbia. Os participantes deste estudo foram os profissionais de saúde que atuaram no enfrentamento da COVID-19, sendo os integrantes da equipe multidisciplinar em saúde indígena (médicos, enfermeiros e odontólogos), e a gestão do DSEI Alto Rio Solimões, através de entrevista audiogravada, com 5 questões semi-estruturadas, transcritas na íntegra.

Resultados: Observou-se que medidas sanitárias foram tomadas na tentativa de enfrentamento da COVID-19 na aldeia indígena estudada, pelos órgãos responsáveis - Gestão do DSEI e organismos nacionais - seguindo protocolos estipulados. Algumas estratégias exitosas foram citadas pelos sujeitos pesquisados, no monitoramento do plano de contingência de combate a COVID-19 no DSEI-ARS. Foram citadas, também, dificuldades e ações fracassadas, enfrentadas pelas equipes de profissionais de saúde e a gestão no combate ao vírus SARS-CoV-2. As práticas multiprofissionais de saúde associadas à medicina indígena foram utilizadas no tratamento e prevenção da doença de forma respeitosa e dialógica.

Conclusão: O enfrentamento da COVID-19 na aldeia indígena Feijoal - DSEI-ARS demonstrou um esforço conjunto dos órgãos regulamentadores, dos especialistas da medicina indígena envolvidos no cuidado ao seu povo e dos profissionais de saúde e gestores. Os sujeitos do estudo demonstraram dificuldades enfrentadas e vencidas como o aumento e gravidade dos casos nas aldeias, incipiência de insumos e pessoal, demora na resolução de problemas urgentes pela distância das aldeias dos grandes centros, resistência dos aldeados em isolar-se, alto número de casos de óbitos, além da subnotificação de casos na aldeia estudada. Evidenciou-se o uso de práticas de medicina indígena pelos povos ticuna, na prevenção e tratamento dos sintomas da COVID-19.