Estudo da composição físico-química do sal para consumo humano produzido no Rio Grande do Norte
O Brasil é um grande produtor mundial de sal, sendo o Estado do Rio Grande do Norte responsável por mais de 90% da produção nacional. Por ser um excelente veículo de iodo, essencial à vida humana, o sal se tornou o principal fornecedor desse metaloide para as pessoas em função do seu consumo universal e da sua estabilidade quando submetido à adição desse. A deficiência ou excesso de iodo no organismo, desencadeia riscos graves à saúde da população. Diante dessa situação, esse estudo objetivou avaliar o perfil físico-químico do sal para consumo humano produzido no Rio Grande do Norte entre os anos de 2017 e 2022 considerando suas principais consequências para saúde humana. Para tal, foram utilizados dados analíticos do monitoramento do programa Pró-Iodo no Estado, em amostras colhidas nos produtores e comércio local, pela Vigilância Sanitária Estadual, e encaminhadas para análise no Lacen/RN. Teor de iodo, granulometria e determinação de umidade foram as variáveis usadas para descrever esta avaliação, através de um estudo transversal de abordagem quantitativa, com dados secundários, disponibilizados pelo Lacen/RN por meio de carta de anuência da SESAP/RN.
Como resultado foi encontrado um percentual de 25,30% de amostras insatisfatórias, das 1146 amostras analisadas no período, sendo que do total de amostras insatisfatórias, 33,10% foram em teor de iodo, 73,52% em teor de umidade e 9,41% em granulometria. Outra observação importante é que esses números vem crescendo no decorrer dos anos para os ensaios de teor de iodo e de teor de umidade. Para teor de iodo, há um padrão de amostras insatisfatórias maior para valores abaixo do mínimo preconizado para legislação vigente (15mg/Kg), que para valores acima do máximo que determina a legislação (45mg/Kg). A partir dos achados do estudo foi elaborado, um relatório técnico com resultados do controle de qualidade de sal para consumo humano, para subsidiar a atualização de relatório anual do Pró-Iodo abordando os aspectos físico-químicos e visando a garantia da quantidade do teor de iodo no sal, envolvendo todos os órgãos responsáveis no estado: Visa Estadual, Lacen/RN, produtores e comércio local que posteriormente foi encaminhado à Anvisa e ao INCQS.
O estudo aqui proposto permitiu verificar que ainda existe a necessidade de aprimoramento na produção do sal no tocante a umidade do produto, quanto à sua qualidade, bem como a sua iodação, haja vista que ela existe na tentativa do Ministério da Saúde de minimizar agravos decorrentes dos Distúrbios por Deficiência de Iodo (DDI) no organismo humano. Amostras com iodo em desacordo com o preconizado nacionalmente não são desejáveis, em instâncias da Saúde Pública, pois comprometem a política nacional de minimização dos Distúrbios por Deficiência de Iodo. Aqui se expõe apenas uma pequena parte da realidade, seis anos de produção, monitoramento e controle do sal para consumo humano produzido no RN, sendo primordial estudos mais aprofundados, com extensão do período até dias atuais
