Aspectos clínico-epidemiológicos e temporo-espaciais dos casos notificados de meningites em Sergipe, 2012 - 2022
A meningite é uma infecção grave e um problema de saúde pública global, caracterizada por elevadas taxas de morbimortalidade. Geralmente apresenta evolução aguda e pode ser causada por agentes infecciosos, como bactérias, vírus, fungos e parasitos, além de agentes não-infecciosos, como traumatismos e substâncias químicas. Este estudo investigou o perfil clínico-epidemiológico, as tendências temporais e a distribuição espacial dos casos de meningite notificados no estado de Sergipe entre 2012 e 2022. Os dados, extraídos do Sistema de Informações de Agravos de Notificação (SINAN), foram analisados com base em variáveis clínicas, sociodemográficas, temporais e espaciais. Entre os 402 casos analisados, 59% ocorreram em indivíduos do sexo masculino, sendo as faixas etárias mais afetadas de 20 a 29 anos (23,6%) e de 5 a 9 anos (13,2%). A maioria dos pacientes (68,9%) era de cor parda, com os principais sintomas sendo febre (91%), cefaleia (85,1%) e vômitos (76,9%). A análise temporal mostrou redução na incidência entre 2012 e 2016, seguida de estabilização até 2022, enquanto a mortalidade se manteve estável, com taxa média de letalidade de 27%. A análise espacial revelou clusters de alta incidência na região metropolitana de Sergipe, especialmente em Aracaju e municípios vizinhos, destacando áreas prioritárias para vigilância e prevenção. A faixa etária foi o principal fator associado à sobrevivência, com menores taxas de óbito entre os mais jovens. Esses resultados são fundamentais para subsidiar políticas públicas que visem à prevenção da meningite e ao fortalecimento da vigilância epidemiológica em áreas vulneráveis. Conclui-se que a meningite permanece como um desafio crítico de saúde pública em Sergipe, demandando intervenções eficazes para reduzir a mortalidade e melhorar a resposta a surtos.
