Sífilis gestacional e congênita nas regiões da III Macrorregião de Saúde de Pernambuco

Autor(a)
Kamila Thaís Marcula
Orientador(a)
Aletheia Soares Sampaio
Tipo
Dissertação
Programa consorciado
Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública (PPGSP)
Categoria do curso
Mestrado Profissional
Ano da Defesa
Descrição

A sífilis, causada pelo Treponema pallidum, é uma infecção sexualmente transmissível que representa um desafio para a saúde pública. A transmissão pode ocorrer por via sexual, adquirida ou gestacional, e por meio do canal de parto, caracterizando a sífilis congênita. O estudo teve como objetivo descrever o perfil epidemiológico e sociodemográfico dos casos de sífilis em gestante e sífilis congênita da III Macrorregião de Saúde de Pernambuco, no período de 2017-2022. Trata-se de um estudo transversal, com análise de dados secundários, provenientes do SINAN e SINASC. Foi realizado o linkage probabilístico entre as bases. Foram registrados 935 casos de sífilis em gestante e 309 casos de sífilis congênita. A taxa de detecção de sífilis em gestante no período aumentou de 10,0 casos/mil nascidos vivos em 2017 para 16,0 casos/mil nascidos vivos em 2022, enquanto a taxa de incidência da sífilis congênita no ano de 2017 foi de 2,9 casos por mil nascidos vivos para 5,3 casos por mil nascidos vivos em 2022. Evidenciou-se que 497 (52,2%) gestantes estavam na faixa etária de 20 a 29 anos, 714 (75%) eram pardas e 660 (69,3%) eram residentes em áreas urbanas. As gestantes mais afetadas possuíam baixa escolaridade, sendo 302 (32,3%) com ensino fundamental incompleto.

O estudo também destaca o elevado número de casos com diagnóstico tardio. Com relação às características das crianças com sífilis congênita, 163 (52,8%) foram diagnosticados com a doença com até um dia de vida, 210 (68%) recém-nascidos eram assintomáticos, 147 (47,6%) precisaram ficar internadas para a realização do tratamento com penicilina e 290 (93%) evoluíram com vida. Quanto ao perfil das mães dos bebês com sífilis congênita, verificou-se a predominância dos casos entre mulheres jovens, pardas e com escolaridade baixa. Destas, 279 (90%) realizaram o pré-natal, 109 (35,3%) foram consideradas com esquema de tratamento inadequado e 102 (33%) parceiros sexuais não foram tratados. Os principais achados sugerem que o crescente número de casos de sífilis gestacional e congênita na III Macrorregião de Saúde evidenciam a necessidade de melhorias na qualidade da assistência pré-natal, bem como a adoção de novas estratégias que sejam mais eficazes para prevenção e redução da transmissão vertical da sífilis.