Sífilis congênita em Santos (SP): um retrato temporal de 2017 a 2021

Autor(a)
Willian Marques Fioratti
Orientador(a)
Cleber Nascimento do Carmo
Tipo
Dissertação
Programa consorciado
Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia em Saúde Pública (PPGEPI)
Categoria do curso
Mestrado Profissional
Ano da Defesa
Descrição

A sífilis congênita (SC) representa um desafio significativo para a saúde pública, com potencial para causar sérias complicações, incluindo incapacidade e até mesmo morte. O tratamento adequado durante a gestação é crucial para prevenir a transmissão vertical da doença. O presente estudo teve como objetivo principal descrever e analisar a evolução dos casos de SC em Santos, São Paulo, durante o período de 2017 a 2021. Para alcançar esse objetivo, foram investigadas variáveis sociodemográficas e assistenciais relacionadas à mãe/gestante, à criança e ao parceiro. Essas variáveis incluíram, entre outras, zona de residência, idade materna, escolaridade da mãe, realização de pré-natal, período de diagnóstico da sífilis materna, resultados de testes laboratoriais e esquema de tratamento. A cidade de Santos, localizada no litoral de São Paulo, apresenta características geográficas e econômicas específicas, como uma área total de 271 km2, predominância de atividades econômicas como o porto, comércio, turismo e pesca, além de uma localização estratégica em relação a importantes vias de acesso.

O estudo utilizou fontes de dados secundários obtidos do Sistema Nacional de Agravos de Notificação (SINAN) para informações de casos de sífilis congênita e do DATASUS – Tabnet acerca sobre Nascidos Vivos. A análise dos dados foi conduzida com análises descritivas e por meio da análise de correspondências múltiplas para explorar correlações e diferenças significativas entre grupos. Embora tenham sido registrados avanços no diagnóstico e aumento de casos descartados, o número expressivo de diagnósticos tardios e tratamentos inadequados evidenciaram lacunas no atendimento pré-natal e barreiras no acesso aos serviços de saúde.

A análise revelou desigualdades sociais, econômicas e raciais que influenciam a ocorrência da doença, com destaque para a maior vulnerabilidade de gestantes jovens, de baixa escolaridade e de cor parda. Além disso, o impacto da pandemia de COVID-19 e a complexidade do contexto portuário de Santos potencializaram essas dificuldades, indicando a necessidade de fortalecer a vigilância epidemiológica e ampliar o acesso ao cuidado pré-natal. Conclui-se que apenas por meio de uma abordagem integrada e equitativa, envolvendo a promoção da saúde, educação comunitária e melhoria da assistência, será possível reduzir de forma sustentável a transmissão vertical da sífilis e seus desfechos desfavoráveis.