Vigilância laboratorial do HIV no Alto Solimões: análise de cargas virais realizadas em Tabatinga, 2021 a 2023
Introdução: O estudo analisa o atendimento de pessoas vivendo com HIV na região do Alto Solimões, com foco na análise dos resultados de cargas virais realizadas para o público atendido nos anos de 2021 a 2023, pelo Laboratório de Fronteira de Tabatinga, município amazonense que se limita com Letícia na Colômbia e com Ilha de Santa Rosa no Peru, constituindo a tríplice fronteira Brasil, Colômbia e Peru. Métodos: Análise descritiva dos resultados de carga viral de HIV de indivíduos cadastrados no Sistema de Controle de Exames Laboratoriais da região do Alto Solimões, 2021 a 2023. Foram incluídos indivíduos vivendo com HIV encaminhados ao Laboratório de Fronteira para exame de carga viral, excluindo aqueles que tiveram os resultados de exames não digitados/importados, amostras rejeitadas, resultados não liberados, resultados cancelados e exames com solicitações fora do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas.
Resultados: No período de estudo foram atendidas 536 pessoas vivendo com HIV, sendo 362 homens, 167 mulheres e 7 pessoas que não informaram sexo. A idade média da população atendida foi de 35 anos e 4 meses e a raça/cor predominante foi a de negros (pardos e pretos), 354 pessoas, seguidas por 78 indígenas, 26 brancos e 65 pessoas sem informação de raça/cor. Desses atendimentos 110 pessoas realizaram apenas 1 exame, 62 pessoas realizaram 6 exames e apenas 26 pessoas realizaram mais de 6 exames. Não realizaram os exames regularmente 45,2% das pessoas atendidas em 2021, 50,6% das atendidas em 2022 e 37,1% das atendidas em 2023 Enfim, na análise de carga viral, 11,5% apresentaram cópias superiores a 200 cópias/Ml em 2023, e apenas 2,24% mantiveram carga viral não detectavel durante os 3 anos.
Conclusões: Descrever o atendimento das pessoas vivendo com HIV na região do Alto Solimões, baseandose nos exames de carga viral de HIV, possibilitou-nos conhecer o comportamento da epidemia de HIV no Alto Solimões, demonstrando uma melhoria no serviço ofertado, no que tange a realização dos exames, no entanto ainda é necessário aprimorar o acompanhamento laboratorial das pessoas atendidas, investindo em estratégias de saúde pública mais eficazes para combater a epidemia de HIV na região.
