Análise do controle de qualidade laboratorial da malária, realizado no Lacen-AP, de 2016 a 2022
A malária é um problema de saúde internacional, em que o principal componente do controle da doença é o diagnóstico. No Brasil, a gota espessa é o padrão-ouro, e a qualidade do diagnóstico pode impactar além da saúde do paciente, toda a região amazônica brasileira e países fronteiriços. O objetivo do trabalho foi analisar o controle de qualidade laboratorial da malária, realizado no Laboratório Central de Saúde Pública do Amapá – Lacen/AP, para o diagnóstico da doença, no período de 2016 a 2022. O trabalho foi baseado na metodologia do Arco de Manguerez. Para a avaliação do desempenho dos microscopistas, foram utilizadas planilhas e gráficos, organizados e tabulados nos softwares Word e Excell e para análise estatística foi calculado o coeficiente de Correlação Intraclasse (ICC). No período de 2016 a 2022, foram revisadas 27.703 lâminas, sendo 12.200 positivas, 14.578 negativas e 925 sem condições de diagnóstico.
As espécies que mais se destacaram foram Plasmodium vivax (10.193) e P. falciparum (1.949). Foram detectadas 693 lâminas divergentes. Dentro do nível de concordância aceitável pela OPAS (98%), alguns municípios ficaram abaixo, Mazagão (97,5%), Laranjal do Jari (96,1%), Macapá (97,4%), Oiapoque (89,1%) e Santana (91,5%). Apesar desse índice, o ICC, demostrou um bom desempenho dos microscopistas para detecção de parasitas, com valor de 0,84 para municípios com módulo e 0,90 para os sem módulo de revisão. Em todos os anos foram realizados cursos de atualização pelo Lacen-AP. Foram encontradas algumas fragilidades no Controle de Qualidade (CQ) do Lacen-AP, como o número de cursos ofertados aos revisores municipais e os registros das supervisões que ocorreram nos municípios no período do estudo, o que pode ter potencializado o número de divergências por parte dos revisores e ainda a lacuna quanto as condições de trabalho e estrutura física nos Posto de Notificação dos municípios Apesar disso, ao longo dos anos o número de divergências se mostrou constantemente em queda em todos municípios, demonstrando a importância do CQ e da participação dos microscopistas, nos cursos de atualização. Embora o Amapá tenha feito progressos no controle da malária, ainda enfrenta desafios que exigem investimentos em infraestrutura, capacitação de profissionais e melhoria no diagnóstico laboratorial.
A sensibilização das gestões é crucial para garantir a qualidade no diagnóstico e o monitoramento da doença, visando sua eliminação. A fim de auxiliar os responsáveis pelo diagnóstico da malária, foi proposto um Guia Prático do Controle de Qualidade, como Produto Técnico Tecnológico – PTT. Este guia é um instrumento dinâmico, com orientações que possibilitam a redução do número de lâminas reprovadas e a melhoria do seu controle de qualidade
