Análise epidemiológica e fatores de associação de casos graves e óbitos por leptospirose em Santa Catarina entre 2013 e 2022

Autor(a)
Alexandra Schlickmann Pereira
Orientador(a)
Daniel Savignon Marinho
Tipo
Dissertação
Programa consorciado
Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia em Saúde Pública (PPGEPI)
Categoria do curso
Mestrado Profissional
Ano da Defesa
Descrição

A leptospirose, uma doença infecciosa bacteriana aguda, é uma das zoonoses mais relevantes devido à sua alta incidência e letalidade, particularmente em regiões tropicais e subtropicais. Este estudo epidemiológico retrospectivo utilizou dados de 2.777 casos confirmados de leptospirose em Santa Catarina, de 2013 a 2022. Variáveis sociodemográficas (sexo, idade, escolaridade, região de residência) e clínicas (sintomas, tempo entre início dos sintomas e atendimento) foram analisadas. A análise de incidência e letalidade foi conduzida para o estado e suas macrorregiões. Modelos de regressão logística univariada e multivariada foram aplicados para identificar fatores de associados, considerando o nível de significância de p < 0,05. Nesta análise, a letalidade foi de 3,6% para SC e 88% dos casos ocorreram no sexo masculino, embora a letalidade tenha sido mais alta no sexo feminino (4,8%). A análise ajustada identificou que indivíduos entre 50-59 anos apresentaram para agravamento uma razão de chance (RC) ajustada de 1,97 (IC95%: 1,41-2,75) e aqueles com 60 anos ou mais, uma RC de 2,38 (IC95%: 1,65-3,43) quando comparados a indivíduos menores de 20 anos.

Os principais fatores clínicos relacionados a casos graves e óbitos incluíram alterações respiratórias RC ajustada de 2,93 para agravamento (IC95%: 2,40 -3,58) e 6,55 (IC95%: 3,98-10,78) para óbito, insuficiência renal RC ajustada de 3,81(IC95%: 2,37-6,11) para óbito, e congestão conjuntival RC ajustada de 1,45 (IC95%: 1,17-1,80) para agravamento, vômito RC ajustada de 2,13 (IC95%: 1,78-2,56) e prostração RC ajustada de 1,34 (IC95%: 1,10 – 1,64). Por outro lado, a cefaleia apresentou uma associação inversa com o agravamento e óbito, sugerindo possível viés de registro Fatores ambientais, como o contato com água de enchentes, estiveram associados ao aumento na chance de agravamento RC ajustada de 1,28 (IC95%: 1,05 – 1,55).

A análise regional revelou que quando comparadas à macrorregião Grande Oeste a macrorregião da Foz do Rio Itajaí apresentou RC ajustada para óbito de 13,12 (IC95%: 2,31 -74,47), enquanto a macrorregião Sul apresentou RC ajustada de óbito de 7,64 (IC95%: 1,39-41,94). Em contrapartida, a Serra Catarinense destacou-se pela baixa incidência e ausência de óbitos, sendo a menos impactada. A identificação de fatores de associação específicos e a implementação de estratégias direcionadas são essenciais para mitigar os desfechos mais graves em Santa Catarina, priorizando populações de mais vulneráveis, como idosos especialmente em períodos de enchentes.