Notificação de autoteste COVID-19: estratégias digitais e desenvolvimento de um protótipo para uso na vigilância em saúde
A pandemia de COVID-19 resultou em uma emergência de saúde pública global, afetando milhões de pessoas em mais de 223 países. No Brasil, foram implementadas diversas medidas para conter a disseminação do vírus, incluindo a testagem em massa da população. Inicialmente, as metodologias de RT-qPCR e sorologia foram utilizadas, seguidas pela integração de autotestes de COVID-19 como estratégia de triagem devido à sobrecarga na capacidade de testagem. Contudo, segundo diretrizes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, os resultados dos autotestes não são conclusivos, o que pode levar à subnotificação da doença.
Diante desse cenário, este estudo visou avaliar o desenvolvimento de novas tecnologias de vigilância durante a pandemia, bem como desenvolver e analisar a usabilidade de um protótipo de registro eletrônico para notificação de resultados de autotestes. A metodologia incluiu uma revisão integrativa sobre estratégias digitais de vigilância epidemiológica para a COVID-19, realizada na base de dados PubMed e em websites governamentais, além da avaliação de depósitos de registros de propriedade intelectual de softwares voltados à COVID-19 no Brasil. O protótipo de registro eletrônico foi desenvolvido em formato web e a usabilidade, avaliada com 72 alunos de pós-graduação da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca, utilizando o questionário System Usability Scale e a metodologia Heurística de Nielsen A revisão integrativa revelou um avanço no desenvolvimento de tecnologias durante a crise sanitária.
Entre as plataformas digitais estrangeiras, 13,9% são destinadas à notificação de resultados de autotestes, enquanto no Brasil, 66,7% das plataformas municipais e estaduais observadas oferecem essa funcionalidade, mas não foi identificada uma plataforma federal com tal recurso. A avaliação de usabilidade do protótipo obteve uma pontuação média de 64,08 no questionário SUS (ideal ≥ 68), indicando a necessidade de melhorias, como a inclusão do registro de localização e aprimoramento do questionário. Conclui-se que a pandemia acelerou o desenvolvimento de ferramentas digitais para vigilância epidemiológica e que, para aprimorar a resposta a futuros surtos, recomenda-se implementar plataformas de notificação centralizadas que integrem a vigilância participativa
