Tuberculose na população indígena e não indígena no Estado de Pernambuco no período de 2010 a 2020: diferenças na distribuição espacial
A tuberculose (TB) permanece como um grave problema de saúde pública, impactando especialmente populações vulneráveis, como indígenas, moradores de rua e pessoas privadas de liberdade. No Brasil, indígenas residentes em áreas rurais, particularmente em Pernambuco, apresentam maiores taxas de infecção devido às dificuldades de acesso ao diagnóstico e tratamento. Este estudo teve como objetivo analisar e comparar a distribuição espacial, a tendência temporal e os coeficientes médios de incidência da TB em indígenas e não indígenas no estado de Pernambuco, entre 2010 e 2022. Trata-se de um estudo ecológico, transversal e descritivo, com dados provenientes do SINAN e SITETB. Foram analisadas variáveis como número absoluto de casos e coeficientes de prevalência, utilizando o Índice de Moran para autocorrelação espacial e o teste de Wilcoxon para comparação de médias. A regressão Break Point foi empregada para avaliar a evolução temporal. Identificou-se maior concentração de casos na Região Metropolitana do Recife, com incidência significativamente superior entre indígenas. A pandemia de covid-19 impactou negativamente a notificação dos casos, gerando uma queda acentuada após 2020. O estudo evidencia desigualdades no acesso aos serviços de saúde, refletindo a necessidade de estratégias de controle mais inclusivas, culturalmente adequadas e que promovam a participação ativa das populações indígenas nas ações de prevenção e tratamento da TB
