Cobertura, barreiras e oportunidade da vacinação contra COVID-19 nos indígenas de Roraima, no período de 2021 a 2023

Autor(a)
Daniela da Silva Santos
Orientador(a)
Paulo Cesar Basta
Tipo
Tese
Programa consorciado
Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia em Saúde Pública (PPGEPI)
Categoria do curso
Doutorado Acadêmico
Ano da Defesa
Descrição

A vacinação contra a COVID-19 foi uma medida essencial para o controle da pandemia. Contudo, populações indígenas enfrentaram desafios que dificultaram o acesso às vacinas. Este estudo teve objetivo de analisar a cobertura vacinal entre indígenas de Roraima entre 2021 a 2023 em 3 grupos de indígenas (DSEI Yanomami, DSEI Leste e área urbana), considerando diferenças por faixa etária e sexo. Foi realizado um estudo observacional utilizando dados secundários, envolvendo 120.312 registros vacinais referentes a 59.321 indígenas. Foi estimada cobertura e abandono vacinal e análises de sobrevivência. Observou-se cobertura vacinal parcial (1ª dose) de 60,9% e cobertura total (2ª dose) de 40,3%. A faixa etária de 20 a 59 anos apresentou maior cobertura parcial (71,3%), enquanto os idosos apresentaram maior completude do esquema vacinal. Mulheres apresentaram maior adesão vacinal que homens. A cobertura vacinal de Roraima esteve abaixo da média estadual e da população geral. DSEI Leste apresentou melhores coberturas vacinais (42,6%) comparado Yanomamis (30,7%) e Urbanos (2,07%) e também menor tempo de atraso vacinal (55,1%) e ao tempo de sobrevida. Os resultados nos DSEIS podem ser explicados por dificuldades de acesso, infraestrutura precária e desafios estruturais. Indígenas urbanos tiveram os piores índices, possivelmente por discriminação, ausência de políticas específicas e aculturação. As características regionais e estruturais dos DSEIs influenciam os resultados vacinais. A baixa cobertura, evidencia a necessidade de ações para especificidades culturais e territoriais. Recomenda-se o fortalecimento da cooperação institucional, aprimoramento dos registros e infraestrutura das unidades. Planos logísticos e incentivos para áreas remotas são essenciais para reduzir desigualdades e promover melhores condições de saúde