Atendimentos individuais da população adulta masculina na atenção primária à saúde no Brasil, de 2017 a 2021
O estudo aborda o acesso da população masculina à Atenção Primária à Saúde (APS) no Brasil, através da utilização desses serviços pela população masculina, considerando a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH). Destaca-se a relevância de compreender as particularidades da saúde masculina, influenciada por fatores sociais, culturais, econômicos e políticos, que ultrapassam as questões biológicas. Para tanto, a pesquisa utilizou dados dos Sistemas de Informação para Atenção Básica (SISAB), analisando o cadastramento e os atendimentos individuais de homens entre 20 e 59 anos no período de 2017 a 2022. O estudo buscou identificar variações no acesso aos serviços de APS, considerando eventos como a implementação do Previne Brasil e a pandemia de COVID-19. Os resultados apontaram para um aumento no número de cadastros e atendimentos de homens, principalmente após o início do programa Previne Brasil e durante a pandemia, embora esse aumento não refletisse necessariamente uma mudança no comportamento de cuidado com a saúde, possivelmente impulsionado pelo medo da COVID-19. Além disso, o acesso limitado dos homens à APS impacta negativamente os outros níveis de atenção, gerando maior número de internações hospitalares por causas sensíveis à atenção primária. Fatores como as normas de masculinidade — que valorizam a virilidade, a autossuficiência e a resistência à dor — são apontados como barreiras que afastam os homens das práticas de prevenção e cuidado. O estudo conclui que é necessário desconstruir esses estereótipos e adaptar os serviços de saúde às necessidades masculinas, levando em conta os determinantes sociais de forma ampla e integrada Além disso, reforça a importância do fortalecimento da APS como principal porta de entrada para o sistema de saúde e a necessidade de um modelo de financiamento mais alinhado às realidades locais. A pesquisa conclui que, além do cadastramento, é fundamental entender as diversas necessidades dos usuários e fortalecer a relação entre profissionais de saúde e a comunidade, valorizando o trabalho das equipes multiprofissionais.
