Vulnerabilidades e espraiamento da Covid-19 nas fronteiras terrestres do Acre: aspectos sociais e epidemiológicos

Autor(a)
Elisa Mara da Silva Carneiro
Orientador(a)
Mônica de Avelar Figueiredo Mafra Magalhães
Tipo
Tese
Programa consorciado
Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública (PPG-SP)
Categoria do curso
Doutorado Acadêmico
Ano da Defesa
Descrição

Este estudo teve como objetivo analisar a disseminação da COVID-19 nos municípios acreanos entre 2020 e 2022, considerando indicadores epidemiológicos acumulados, perfil sociodemográfico dos casos e sua relação com vulnerabilidades sociais e territoriais, com ênfase nas cidades-gêmeas de fronteira. Trata-se de um estudo ecológico retrospectivo com dados secundários. Realizou-se a caracterização epidemiológica além da análise da evolução temporal da pandemia, considerando incidência mensal, cobertura vacinal e atos normativos estaduais. Construíram-se os índices IVS-Cov e IVS-Cov-F. Aplicaram-se análises de agrupamento (K-means e hierárquica), Análise de Componentes Principais e testes de correlação de Spearman e Mann-Whitney. Observou-se predomínio de casos entre mulheres, adultos jovens e indivíduos autodeclarados pardos, com elevada proporção de evolução para alta. A incidência acumulada variou de 530,97 por 10 mil habitantes em Porto Walter a 2.781,48 em Assis Brasil. A mortalidade oscilou entre 0,96 em Capixaba e 19,75 por 10 mil habitantes em Assis Brasil, enquanto a letalidade variou de 0,08% em Capixaba a 0,79% em Feijó. Entre as cidades-gêmeas, Assis Brasil e Epitaciolândia apresentaram as maiores taxas, enquanto Brasiléia e Santa Rosa do Purus registraram valores intermediários. Os índices IVS-Cov e IVS-Cov-F variaram entre 2,2 e 3,6 pontos, sendo que a inclusão da dimensão fronteiriça elevou a vulnerabilidade das cidades-gêmeas, especialmente Assis Brasil, Epitaciolândia e Santa Rosa do Purus. Observou-se forte correlação entre mortalidade e letalidade (r = 0,73) e correlação moderada entre incidência e mortalidade (r = 0,61). As cidadesgêmeas apresentaram valores acumulados significativamente maiores nos três indicadores analisados. As análises de agrupamento identificaram três padrões territoriais coerentes com intensidade epidemiológica, isolamento e características socioestruturais. A PCA explicou 54,3% da variância total, distinguindo municípios com maior impacto epidemiológico daqueles com menor intensidade e maior isolamento territorial. Conclui-se que a COVID-19 distribuiu-se de forma desigual entre os municípios do Acre, com maior intensidade em áreas de fronteira e centros regionais. Os índices IVS-Cov e IVS-Cov-F evidenciaram padrões diferenciados de vulnerabilidade social e territorial, destacando o papel da dimensão fronteiriça na ampliação da exposição e do risco epidemiológico