Conhecimentos, atitudes e práticas de profissionais que atuam na vigilância e controle das zoonoses, médicos veterinários e estudantes de medicina veterinária: um olhar sobre a leishmaniose visceral canina no Estado do Amapá
A leishmaniose visceral (LV) é uma doença que oferece um grande risco à saúde pública, principalmente por sua elevada letalidade. É uma enfermidade que afeta cães e humanos e, por isso, merece atenção dos profissionais da saúde, especialmente os que atuam no controle de zoonoses. Mesmo o Amapá sendo classificado no estrato de baixo risco para LV, pode ser considerada uma região com potencial para a ocorrência desta zoonose, pois já foram registrados casos autóctones caninos e humanos, além da confirmação da presença do vetor. Como a principal dificuldade observada foi a falta de informações mais consistentes sobre a ocorrência da enfermidade no Amapá, foi realizado um inquérito com formulários online, onde participaram 24 médicos veterinários, 44 estudantes de medicina veterinária e 8 profissionais que atuam na vigilância e controle de zoonoses. Um estudo observacional transversal que avaliou o nível de conhecimento sobre a doença, as atitudes, as condutas e medidas de controle e fluxos de atendimento/diagnóstico adotados, para se obter um cenário mais real e atual da leishmaniose visceral canina (LVC) no estado. Verificou-se que o sexo feminino prevaleceu na classe veterinária (15/62,5%), assim como nos estudantes de medicina veterinária (32/72,7%). Os participantes demonstraram ter um bom conhecimento sobre a leishmaniose visceral canina. Constatou-se um aumento na frequência de animais suspeitos de LVC, principalmente em Macapá. Apesar disso, a notificação dos casos suspeitos e o fluxo laboratorial para confirmação diagnóstica não são realizados ou não são conhecidos pela maioria dos veterinários e técnicos do controle de zoonoses. A medida de controle mais indicada foi o uso de coleiras impregnadas com inseticidas. No entanto, a eutanásia ainda é uma atividade que os veterinários e as unidades de vigilância de zoonoses concordam e executam na rotina de trabalho. Vale ressaltar que em algumas situações, nenhuma providência foi tomada mediante a confirmação da infecção nos animais. Sendo assim, faz-se necessário que mais estudos e pesquisas sobre a LVC no Amapá sejam feitos com o intuito de gerar dados e indicadores epidemiológicos que possam caracterizar a doença e nortear as ações de controle da LV. Também é de suma importância que as unidades de vigilância locais sejam implantadas e estruturadas e que possa ser montada uma rede de integração de vigilância e monitoramento da LV composta por órgãos públicos, instituições privadas e sociedade civil para adoção de medidas preventivas conjuntas e efetivas contra essa zoonose.
