Curso gratuito sobre doenças crônicas não transmissíveis é lançado com apoio do Programa VigiFronteiras-Brasil/Fiocruz

Nesta segunda-feira, 29 de junho, o Instituto Aggeu Magalhães (IAM/Fiocruz Pernambuco), em parceria com o Campus Virtual Fiocruz e comapoio do Programa Educacional de Vigilância em Saúde nas Fronteiras (VigiFronteiras-Brasil/Fiocruz), iniciativa da Fiocruz em parceria com a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério das Saúde e com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas); oficializou a abertura do curso 'Doenças crônicas não transmissíveis e o desafio da vigilância em saúde nas regiões fronteiriças'. As inscrições já estão abertas e podem ser realizadas no Campus Virtual da Fiocruz. O curso oferece vagas ilimitadas e não exige processo seletivo.

As Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), grupo que inclui doenças cardiovasculares, câncer, diabetes e doenças respiratórias crônicas, são responsáveis pela maior parte das mortes prematuras no Brasil e no mundo. Configurando um dos principais desafios da saúde pública contemporânea, demandam profissionais cada vez mais preparados para atuar na vigilância, prevenção e cuidado.

O lançamento presencial do curso, realizado na sala 1 do Pavilhão Josué de Castro, 3º andar do IAM/Fiocruz Pernambuco, no Recife, foi aberto ao público. A mesa de abertura foi composta pela vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação da Fundação Oswaldo Cruz, Marly Cruz, pela vice-diretora de Ensino do Instituto Aggeu Magalhães (IAM/Fiocruz Pernambuco), Sheilla Andrade; e pela coordenadora do Programa VigiFronteiras-Brasil/Fiocruz, Eduarda Cesse, além da pesquisadora francesa Annick Fontbonne.

Durante a ocasião, Marly Cruz ressaltou a importância de ampliar a visibilidade das DCNT e de enfrentar os estigmas que ainda cercam essas condições, especialmente em territórios de fronteira. Segundo ela, a formação representa uma estratégia para fortalecer o cuidado e ampliar o acesso ao conhecimento por meio das tecnologias educacionais. “Essa formação vem justamente para chamar a atenção para as DCNT, que não podem ser negligenciadas e invisibilizadas, seja do ponto de vista do diagnóstico e do tratamento”, afirmou.

Sheilla Andrade destacou que o curso chega em um momento oportuno, ao integrar pesquisa e inovação para qualificar a formação dos profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS). Para a vice-diretora, é fundamental ampliar o olhar dos trabalhadores da saúde para além da prática clínica tradicional. “Termos o acesso a um profissional que compreenda o ambiente e consiga vivenciar esse ambiente e ajudar o conjunto de ações que são feitas nessa área é muito relevante”, enfatizou.

“No encerramento, Eduarda Cesse contextualizou a magnitude das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) e ressaltou a necessidade de ampliar o debate sobre esses agravos. “As doenças crônicas são condições que acompanham a pessoa ao longo da vida e, atualmente, constituem a principal causa de mortalidade no mundo. Por isso, é fundamental fortalecer a prevenção, o cuidado e a organização dos sistemas de saúde para enfrentá-las”, destacou.” Eduarda também ressaltou a contribuição dos conteudistas do curso, cuja equipe é formada, em sua maioria, por alunos e ex-alunos da Fiocruz Pernambuco.

Na sequência, foi realizada a mesa "VigiFronteiras e a utilização de tecnologias educacionais", com a participação por Adélia Araújo, coordenadora de Gestão do VigiFronteiras-Brasil e da produção do curso; Andréa Sobral, coordenadora acadêmica do VigiFronteiras-Brasil e vice-diretora de Pesquisa e Inovação da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz); Ana Furniel, coordenadora do Campus Virtual Fiocruz; Joselice Pinto, coordenadora de Educação a Distância do Instituto Aggeu Magalhães (IAM/Fiocruz Pernambuco); e Mariana Farias, pesquisadora do IAM/Fiocruz Pernambuco.

Adélia Araújo apresentou o curso como um dos principais produtos da Meta 4 do Programa VigiFronteiras-Brasil/Fiocruz, que previa o desenvolvimento de um curso autoinstrucional em acesso aberto e de Recursos Educacionais Abertos (REA). Ela ressaltou que todas as metas do Programa foram alcançadas antes do encerramento oficial do projeto, previsto para maio de 2026.

"Isso comprova que o recurso público virou bem público. E bem público, para ser de fato público, precisa estar acessível", afirmou. Segundo ela, o curso foi desenvolvido para estar disponível a qualquer profissional da saúde, da educação ou de outras áreas, em qualquer município de fronteira ou mesmo em outros países, sem barreiras de acesso.

A coordenadora de gestão ainda agradeceu o trabalho coletivo que possibilitou a construção da formação. "Contamos com um grupo de mestres e doutores que trouxeram rigor científico e sensibilidade para a linguagem, avaliação e inclusão. Debateram cada roteiro, revisaram cada vídeo, pensaram cada descrição no Educare para que o material não ficasse só bonito, mas usável."

Durante sua apresentação, Andréa Sobral destacou a relevância da nova formação para fortalecer a segunda turma do Programa VigiFronteiras-Brasil/Fiocruz, especialmente no enfrentamento das DCNT nas regiões de fronteira. "Esse curso traz mais capilaridade para que possamos pensar e discutir essas questões desse processo", afirmou. Ela também enfatizou a necessidade de garantir a continuidade do cuidado às populações que transitam entre diferentes sistemas de saúde. "Formar profissionais para esse cenário não é uma opção, é uma emergência epidemiológica que exige respostas igualmente ágeis, efetivas e inteligentes, especialmente em territórios transfronteiriços."

Ao abordar o papel da educação a distância na qualificação profissional, Ana Furniel ressaltou o desafio de capacitar trabalhadores em um país com dimensões continentais como o Brasil. Segundo ela, o curso adota a estratégia de MOOC (Curso Online Aberto e Massivo), ampliando o acesso ao conhecimento em saúde. "O Campus Virtual da Fiocruz produz entre 15 e 20 cursos por ano, sendo 14 desenvolvidos em 2025", destacou.

Joselice Pinto enfatizou a importância de disponibilizar gratuitamente os cursos produzidos pela Fiocruz para toda a sociedade. "Os cidadãos brasileiros têm confiança na qualidade dos cursos produzidos pela instituição, que tem como uma de suas missões produzir recursos para o SUS", afirmou.

Encerrando a mesa e representando a equipe de conteudistas, Mariana Farias destacou que o curso também pode impulsionar a produção científica sobre DCNT em regiões de fronteira. Segundo a pesquisadora, a iniciativa poderá estimular, inclusive, a elaboração de novas dissertações, teses e publicações sobre um tema ainda pouco explorado, fortalecendo a atuação integrada entre ensino, pesquisa e serviços de saúde.

Em seguida, a pesquisadora Mariana Farias deu prosseguimento ao evento com a apresentação oficial do curso. Ela explicou que a formação foi estruturada de maneira crítica e contextualizada, buscando promover uma experiência de aprendizagem mais dinâmica e reflexiva. "O intuito foi ampliar a experiência de aprendizagem dos participantes, articulando diferentes recursos educacionais e estratégias pedagógicas."

O encerramento do evento foi marcado pela palestra "Onde o cuidado não encontra barreiras: rompendo estigmas, cruzando fronteiras e humanizando a atenção às doenças crônicas não transmissíveis", ministrada por Poliana Cardoso Martins, docente da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Durante a conferência, a pesquisadora apresentou reflexões sobre o cuidado às pessoas que vivem com condições crônicas e exibiu o minidocumentário "Gordofobia e Estigma do Peso: Reconstruindo Práticas de Cuidado em Saúde", produzido no âmbito do projeto Linhas de Cuidado do Sobrepeso e Obesidade no SUS (LCSO).

Em sua palestra, Poliana destacou a confiança como um dos principais determinantes do cuidado em saúde. "O cuidar é um processo relacional, subjetivo e ético que acontece no encontro entre profissional e paciente. Quando há diálogo, escuta e respeito, não é um mero conjunto de procedimentos técnicos", afirmou. A docente também ressaltou que o cuidado às pessoas com doenças crônicas, incluindo a obesidade, deve considerar as múltiplas dimensões que atravessam suas trajetórias de vida. 

O CURSO - 

Oferecido gratuitamente no formato on-line e autoinstrucional, a formação não exige pré-requisitos de formação e tem carga horária de 40 horas; distribuídas em quatro módulos e nove aulas. O curso adota uma abordagem baseada em narrativas gamificadas, em que cada módulo é conduzido por um personagem que atua em Alto do Vale, uma cidade fictícia criada especialmente para o curso. O território simula os desafios enfrentados pelas regiões de fronteira diante do avanço das DCNT.

Ao longo da trajetória de aprendizagem, os participantes são conduzidos por missões e desafios que estimulam a análise de cenários, a interpretação de informações e a tomada de decisões em situações inspiradas na prática da vigilância em saúde, especialmente em contextos fronteiriços.

Desenvolvido com foco na acessibilidade e usabilidade, o curso conta com audiodescrição, legendas, contraste e navegação por leitor de tela. Além de reunir questões para reflexão, vídeos de abertura gravados pelos próprios conteudistas, recursos visuais voltados à acessibilidade e diferentes objetos educacionais, como podcasts, áudios, imagens e atividades interativas. 

À frente da coordenação acadêmica estão Eduarda Cesse e Mariana Farias Gomes. A coordenação técnica é de Rebecca Soares de Andrade, ambas pesquisadoras do IAM/Fiocruz Pernambuco.

Dúvidas em relação ao curso podem ser esclarecidas com o suporte técnico do Campus Virtual da Fiocruz pelo e-mail: suporte.campus@fiocruz.br