Dengue e sua dinâmica de expansão na era do Antropoceno. Evolução nas Américas, comportamento na faixa de fronteira brasileira e avanço em direção às latitudes extremas do continente

Autor(a)
Guillermo Gabriel Barrenechea
Orientador(a)
Leonardo Soares Bastos
Tipo
Tese
Programa consorciado
Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia em Saúde Pública (ENSP - PPGEPI)
Categoria do curso
Doutorado Acadêmico
Ano da Defesa
Descrição

Introdução: A dengue é uma das doenças de maior impacto global, cuja distribuição se expandiu rapidamente nas últimas décadas. Essa expansão é atribuída principalmente às características do Antropoceno: aumento da urbanização, mobilidade global e mudanças climáticas. Objetivo: Investigar a evolução temporal da incidência da dengue na região das Américas, analisar o comportamento espaço temporal da dengue na faixa de fronteira do Brasil e sua relação com a variabilidade climática e, por último, evidenciar a expansão para extremos continentais onde nunca havia sido relatada circulação autóctone até o momento.

Metodologia: Foi realizado um estudo observacional analítico ecológico, no qual as unidades de observação foram as seis sub-regiões das Américas. Foi analisada a tendência da dengue para a América e suas regiões. Em seguida, com um desenho semelhante, trabalhou-se em uma escala temporal anual e nos três arcos de fronteira (Norte, Centro e Sul). Foram utilizados os casos notificados pelos municípios ao Ministério da Saúde do Brasil (SINAN) durante o período de 1º de janeiro de 2010 a 31 de dezembro de 2024. Os dados meteorológicos foram coletados do Mosqlimate. Por fim, foi descrito epidemiologicamente o primeiro surto de dengue registrado na latitude mais austral do planeta. Os softwares utilizados foram R, Jointpoint e QGis.

Resultados: Em escala continental e sub-regional, observou-se uma tendência positiva na incidência da dengue durante o período analisado. A América, o Cone Sul e a América do Norte apresentaram pontos de inflexão na tendência da dengue nos anos de 2005, 2006 e 2004. O Cone Sul é a região com o maior número de anos com picos de incidência acumulada superiores a 300 casos por 100.000 habitantes, sendo que cinco desses 10 anos foram registrados consecutivamente nos últimos anos. No caso da faixa de fronteira, 50% dos casos acumulados ocorreram no último quinquênio. O AS foi o que apresentou o maior crescimento na incidência nesse último período. No AN, as precipitações do inverno anterior são mais relevantes: quanto menor a quantidade de precipitações diárias, maior o risco de dengue. No AC, as temperaturas médias diárias entre 20 e 25 °C aumentam o risco e as baixas precipitações diminuem o risco de dengue; finalmente, no AS, os invernos mais frios diminuem o risco, enquanto os invernos anteriores com temperaturas mais altas aumentam o risco. Neste último arco, as precipitações não mostraram grande influência. A expansão da dengue ocorreu principalmente na região sul nos últimos cinco anos do período. No surto registrado no extremo sul do planeta, foram relatados um total de 94 casos positivos entre 470 casos suspeitos. Do total de casos confirmados, 63 foram classificados como autóctones e 28 como importados. Os serotipos DENV1 e DENV2 foram detectados em ambos os casos.

O presente trabalho permite compreender o comportamento da dengue a nível regional, especificamente na faixa fronteiriça do Brasil, e evidenciar a sua expansão para limites de latitudes nunca antes registrados.no extremo sul do planeta, foram relatados um total de 94 casos positivos entre 470 casos suspeitos. Do total de casos confirmados, 63 foram classificados como autóctones e 28 como importados. Os serotipos DENV1 e DENV2 foram detectados em ambos os casos. O presente trabalho permite compreender o comportamento da dengue a nível regional, especificamente na faixa fronteiriça do Brasil, e evidenciar a sua expansão para limites de latitudes nunca antes registrados.