Epidemia de covid-19 nas fronteiras Brasil/Paraguai e Brasil/Bolívia: uma análise da assistência à saúde no período de 2020-2022, no Mato Grosso do Sul Autor: Rosemarie Dias Fernandes da Silva
A pandemia de covid-19 representou um desafio de magnitude global para os sistemas de assistência à saúde. As desigualdades sociais, aliadas às iniquidades em saúde, contribuíram de forma expressiva para uma disseminação heterogênea da doença no país. Este estudo teve como objetivos analisar a assistência à saúde durante a pandemia de covid-19 nas fronteiras Brasil/Paraguai e Brasil/Bolívia, no período de 2020 a 2022, e compará-la aos demais municípios do Mato Grosso do Sul; comparar os indicadores de assistência à covid-19 entre municípios fronteiriços e não fronteiriços, anualmente e no período total; e construir um índice-síntese de assistência à covid-19, classificando os municípios do estado por ano e no período de 2020 a 2022.
Trata-se de um estudo ecológico, exploratório e de abordagem quantitativa, cuja unidade de análise foi o município. Foram analisados os 79 municípios do Estado de Mato Grosso do Sul, sendo 12 fronteiriços e 67 não fronteiriços. Os indicadores de assistência à covid-19 utilizados estão contidos no Caderno Especial de Indicadores Básicos sobre covid-19. Os dados foram coletados no site OpenDATASUS, no Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica e no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. A partir desses indicadores, foi construído o Índice-Síntese de Assistência à covid-19, utilizando padronização linear e combinação dos dados. O índice foi analisado por meio de mapas temáticos e medidas de disparidade, permitindo avaliar desigualdades intermunicipais.
A análise evidenciou disparidades territoriais significativas. Concluiu-se que a resposta assistencial à covid-19 foi heterogênea no estado, refletindo vulnerabilidades históricas e iniquidades estruturais. Os resultados apontam para a necessidade de fortalecimento da atenção primária e da vigilância em saúde, bem como da implementação de políticas específicas para as regiões de fronteira, visando maior equidade e resiliência do Sistema Único de Saúde. O índice síntese de assistência àcovid-19 mostrou-se um instrumento eficaz para o monitoramento e o planejamento da assistência em contextos vulneráveis e de fronteira.
