Malária em mulheres em idade reprodutiva na fronteira amazônica: tratamento inadequado, ausência de testagem G6PD e recorrência da doença em Tabatinga-AM entre 2013 e 2022

Autor(a)
Ana Carolina Oliveira Rodrigues Duarte
Orientador(a)
Francisco José Roma Paumgartten
Tipo
Tese
Programa consorciado
Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública e Meio Ambiente (ENSP - PPGSPMA)
Categoria do curso
Doutorado Acadêmico
Ano da Defesa
Descrição

A malária mantém impacto expressivo sobre populações em situação de vulnerabilidade na Amazônia brasileira, com especial concentração em regiões de fronteira, onde a descontinuidade dos serviços de saúde amplifica os riscos para gestantes e povos indígenas. Este estudo analisou a adequação do tratamento antimalárico e a ocorrência de recorrência operacional em mulheres em idade reprodutiva residentes em Tabatinga-AM, entre 2013 e 2022, com avaliação da completude do registro de testagem para deficiência de glicose-6-fosfatodesidrogenase (G6PD), segundo o estado gestacional.

Trata-se de estudo observacional analítico, retrospectivo e de base censitária, com dados secundários do Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Malária (SIVEP-Malária).Foram incluídas 2.799 mulheres (298 gestantes; 2.501 não gestantes). As associações foram estimadas por análise bivariada, com cálculo de odds ratio (OR)e intervalos de confiança de 95% (IC95%). O tratamento foi adequado em apenas 4,0% das gestantes, em contraste com 93,1% das não gestantes (OR=739,5;IC95%: 386,7–1.415,2; p<0,001). Identificou-se prescrição de 8-aminoquinolinas em contexto gestacional e ausência quase total de registros de testagem para G6PD ao longo da série histórica. A recorrência operacional foi significativamente mais frequente entre gestantes (12,8%) do que entre não gestantes (9,0%), com diferença estatisticamente significativa (OR=1,47; IC95%: 1,02–2,12; p=0,038).

Conclui-se que, apesar da redução da incidência ao longo do período, persistem fragilidades estruturais no manejo terapêutico da malária em gestantes, expondo esse grupo ariscos evitáveis. Os achados evidenciam um hiato de segurança terapêutica entre as diretrizes normativas e a prática assistencial, com implicações para a vigilância epidemiológica e para as estratégias de eliminação da malária na Amazônia.