Análisis de la tendencia espacio-temporal de Dengue, Zika y Chikungunya en la frontera Argentina-Brasil entre los años 2012 a 2023
Esta tese analisa a dinâmica espaço-temporal do dengue, do Zika e da chikungunya em municípios situados na faixa binacional de 150 km da fronteira Argentina–Brasil, no período de 2012 a 2023, integrando a avaliação dos sistemas de vigilância ao estudo de tendências, padrões espaciais e conglomerados de alto risco, com vistas a orientar a resposta sanitária sob uma perspectiva binacional. Realizou-se um estudo ecológico retrospectivo com base em registros de notificação da Argentina (Sistema Nacional de Vigilância da Saúde, SNVS) e do Brasil (Sistema de Informação de Agravos de Notificação, SINAN), complementados por indicadores socioeconômicos municipais.
No primeiro artigo, atributos selecionados da vigilância foram comparados segundo o marco analítico do Centers for Disease Control and Prevention, evidenciando maior robustez global do SINAN e melhora substancial do SNVS após a implementação do SNVS 2.0 em abril de 2018. No segundo artigo, estimaram-se taxas de incidência e avaliaram-se tendências por modelos log-lineares e mudança percentual anual média, classificando municípios por perfis temporais e comparando quadriênios (2012–2015, 2016–2019, 2020–2023); a carga de dengue mostrou marcada assimetria em favor do lado brasileiro, com concentração no Paraná e maior intensidade no eixo Paraná–Misiones. No terceiro artigo, investigou-se a organização territorial do risco por autocorrelação espacial (Moran global e LISA) e associação espacial com determinantes sociais; constatou-se agrupamento da incidência na maioria dos anos e associação espacial positiva com a desocupação, além de conglomerados Alto–Alto persistentes no Paraná, particularmente no entorno de Foz do Iguaçu, e clusters emergentes em Misiones. No quarto artigo, aplicou-se varredura espaço-temporal para detectar clusters binacionais de arboviroses; ao longo do período, registraram-se mais de 1,3 milhão de casos notificados, com predominância de dengue e emergência de Zika e chikungunya a partir de 2015, identificando-se recorrência de clusters primários no sudoeste do Paraná e uma transição para conglomerados mistos de denguechikungunya–Zika, evidenciando um corredor de co-circulação viral progressivamente mais complexo.
A tese aporta evidência original ao tratar a fronteira como uma unidade epidemiológica funcional, propõe critérios territoriais para priorizar vigilância intensificada, controle integrado de Aedes aegypti e alerta precoce compartilhado, e fundamenta a necessidade de cooperação binacional e de fortalecimento contínuo da qualidade da informação para intervenções mais oportunas e focalizadas.
