Análise espaço-temporal da epidemia da COVID-19 na população indígena e não indígena residente no Mato Grosso do Sul no período de 2020-2022
O presente estudo busca contribuir para o conhecimento acerca da vulnerabilidade epidemiológica da população sul-mato-grossense, analisando a evolução da epidemia de COVID-19 entre indígenas e não indígenas residentes em Mato Grosso do Sul, no período de 2020 a 2022.
Os resultados são apresentados na forma de artigos científicos. O primeiro artigo consistiu em uma análise espaço-temporal da COVID-19 entre indígenas e não indígenas de Mato Grosso do Sul, Brasil. Foram utilizados dados do Sistema de Vigilância Epidemiológica da Influenza e do Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica (SIVEP-Gripe e e SUS-VE), além de informações demográficas provenientes do Censo Demográfico do IBGE de 2022 e bases cartográficas municipais do estado de Mato Grosso do Sul, no sistema de referência SIRGAS 2000 (EPSG:4674). As análises foram conduzidas nos softwares R (versão4.2.1), QGIS (versão 3.22.0) e SaTScan (versão 10.0).
Os resultados evidenciaram uma distribuição espacial heterogênea das taxas de incidência no estado, com diferenças significativas entre as populações indígena e não indígena, sugerindo a necessidade de aprofundamento da investigação sobre fatores associados. O segundo artigo analisou a distribuição temporal das taxas de incidência, letalidade e mortalidade por COVID-19 na população indígena atendida pelos polos-base de saúde indígena do estado, entre janeiro de 2020 e dezembro de 2022. As taxas de incidência, letalidade e mortalidade foram consideradas medidas de magnitude e gravidade dos desfechos, sendo avaliadas por meio de análise de séries temporais. Utilizaram-se como fontes de dados os registros de casos e óbitos por polo-base disponíveis na Plataforma de Emergências em Saúde Indígena e as estimativas populacionais da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI).
As análises foram realizadas utilizando o Microsoft Excel (versão 2204) e o modelo de regressão Joinpoint Regression Program, com o objetivo de identificar mudanças significativas nas tendências trimestrais das taxas de incidência, letalidade e mortalidade ao longo do período estudado. O estudo contemplou 4.778 casos e 115 óbitos. A taxa de incidência do DSEI/MS (0 Joinpoints) apresentou menor decréscimo e padrões distintos de distribuição quando comparada à letalidade (1 Joinpoint), que apresentou crescimento inicial, ponto de inflexão e posterior redução. Os polos-base que apresentaram maior crescimento das taxas de incidência foram Bonito e Antônio João, enquanto Sidrolândia, Miranda e Bonito registraram as maiores taxas de incidência no período. Bonito, Aquidauana e Miranda apresentaram as maiores taxas de mortalidade, ao passo que Aquidauana e Miranda exibiram as maiores tendências decrescimento entre os polos-base.
As tendências temporais identificadas neste estudo evidenciam desigualdades no risco de adoecimento e morte entre a população indígena em seus territórios. Considerando a diversidade dos contextos locais, verifica-se que os povos indígenas estão submetidos a diferentes condições de vulnerabilidade que influenciam o risco de ocorrência e agravamento da COVID-19.
