Oficina de Artigos Científicos: segunda edição da atividade fortalece a produção científica com foco na integridade acadêmica

A 2ª edição da Oficina de Elaboração de Artigos Científicos, realizada de 18 a 22 de maio de 2026, na Escola Nacional de Saúde Pública/Fiocruz (ENSP), no Rio de Janeiro, foi um momento valioso de troca de informações sobre práticas acadêmicas atuais e tendências na pesquisa.

Pela primeira vez, egressos do mestrado e doutorado do Programa VigiFronteiras-Brasil/Fiocruz estiveram reunidos com os alunos do doutorado e egressos do mestrado do Programa VigiLabSaúde/Fiocruz, para uma atividade formativa.

Ao longo de cinco dias, os 24 alunos participantes (12 do VigiFronteiras-Brasil/fiocruz e 12 do VigiLabSaúde/Fiocruz) foram divididos em grupos, cada um sob orientação dos docentes supervisores André Périssé (ENSP/Fiocruz), Enirtes Melo (ENSP/Fiocruz), Fernanda Garrides (ENSP/Fiocruz), Joviana Avanci (ENSP/Fiocruz) e Reinaldo dos Santos (ENSP Fiocruz). Por meio de conversas individuais, os professores sugeriram melhorias nos artigos frutos de suas teses e dissertações e realizaram direcionamentos para adequações.. 

Durante as boas-vindas aos alunos, a coordenadora Acadêmica do Programa, Andréa Sobral, frisou o principal objetivo da atividade: “É muito bom tê-los aqui. Desejo que vocês tenham uma semana bastante frutuosa, que consigam lapidar seus artigos, dialogar bem com os professores supervisores e orientadores. A ideia é que, no final da semana, vocês estejam com os artigos prontos ou o mais finalizados possível para publicação”, pontuou.

Além de proporcionar uma experiência enriquecedora, a iniciativa contribuiusignificativamente para aqueles que desejam se destacar no campo da saúde coletiva. “Os participantes não apenas se preparam para contribuir de forma efetiva com a vigilância epidemiológica, mas também se alinham às exigências do cenário acadêmico atual, ampliando suas chances de sucesso na publicação de suas pesquisas”, destacou Andréa Sobral.

Ética na pesquisa científica

Após a abertura, o professor e coordenador da oficina, Reinaldo dos Santos, conduziu uma discussão sobre Integridade na Publicação Científica, incluindo o uso de Inteligência Artificial (IA) e questionou o que os alunos entendem sobre o tema.

O professor destacou que ao fazer uso da IA, é primordial conferir e testar as informações geradas. “Também é preciso se atentar que às vezes, a forma como você solicita algo para ela não é a ideal”, destacou. 

Durante o debate, a nutricionista e doutoranda do Programa VigiLabSaúde/Fiocruz, Rosalynd Moreira, ressaltou que integridade é manter a ética, respeitar os padrões e os métodos para que a publicação atenda ao objetivo dela de uma maneira bem enxuta. “Em relação ao uso de IA, a integridade é ferida quando se utiliza dessa ferramenta em um artigo como se fosse um conhecimento autoral, uma verdade absoluta, sem ter uma visão crítica, nem um embasamento científico”, refletiu.

Sobre o assunto, a enfermeira e doutoranda do Programa VigiLabSaúde/Fiocruz, Mariana Nossa, destacou um trecho de um dos vídeos do Módulo sobre Publicação Científica composto por videoaulas da ENSP, assistido previamente para a oficina: “Achei bem interessante, ficou bem marcado para mim uma parte que diz: ela não é orientador nem coorientador, não é um sujeito da sua pesquisa, junto contigo.”

Para o farmacêutico e analista técnico de políticas sociais, Esdras Pereira, doutorando do Programa VigiLabSaúde/Fiocruz, os principais pontos de cuidado no uso da IA são a terceirização da definição dos métodos, a escolha da interpretação dos dados e a análise. “Principalmente para quem trabalha com dados quantitativos são os pontos da integridade da pesquisa, a rastreabilidade do processo e a capacidade reprodutiva do método. Além das questões de interpretação em relação, sobretudo, aos estudos ecológicos.”

A oficina na visão dos participantes

Para o médico infectologista argentino Esteban Manuel Couto, egresso do doutorado do Programa VigiFronteiras-Brasil/Fiocruz, os eventos da Fiocruz sempre são uma experiência extremamente gratificante e produtiva. “É um luxo poder participar dessa troca, tanto com os companheiros de curso quanto com os professores.”

Sobre os conteúdos trabalhados ao longo da oficina, ele ressaltou: “A proposta da oficina é muito interessante, pois permite que nos concentremos em nossas produções durante uma semana. Dentre os assuntos trabalhados, a organização de um artigo científico e as questões de integridade ética foram os mais relevantes para mim.”

A enfermeira e chefe do escritório distrital da Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS, em Tabatinga, no interior do Amazonas, na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru, Cristiane Ferreira da Silva, egressa do Programa VigiFronteiras-Brasil/Fiocruz, avaliou a oficina como uma oportunidade de dar visibilidade às situações enfrentadas em territórios de difícil acesso, marcados pela precariedade no fornecimento de energia e por desafios que geram impactos sociais, demandando mudanças concretas.

“Poder trazer as temáticas da saúde indígena que a gente vivencia na fronteira e poder relatar isso nos artigos, deixar registrado para ajudar na busca e construção de políticas públicas necessárias para situações que necessitam de um olhar mais sensível e serem debatidas.”

Em relação aos assuntos abordados que mais chamaram sua atenção na atividade formativa, ela destaca o uso consciente da IA: “Essa ferramenta pode nos ajudar muito, mas, no entanto, os textos devem ser feitos por nós, que somos autores das realidades que enfrentamos. O papel principal é nosso. Também ressalto que muitas das referências usadas em nossas produções não são apenas bibliográficas, de livros, mas também são vivas, pessoas, e incluem o inígena e lideranças da comunidade.”

O encerramento da oficina foi marcado pela finalização do trabalho individual e pela discussão em grupo. A expectativa é que o maior número possível de artigos seja aprovado para publicação em revistas de excelência na área da saúde coletiva, com um foco especial na área de vigilância epidemiológica. 

*Crédito da imagem: Gabriela Andrade