VigiFronteiras-Brasil: cerimônia remota de recepção dá as boas-vindas aos alunos da segunda turma do programa

Na manhã da última segunda-feira, 30 de março, a Fiocruz realizou a cerimônia de recepção dos alunos da segunda turma do Programa VigiFronteiras-Brasil. Realizado de forma remota, o evento contou com a participação de autoridades da instituição e convidados nacionais e internacionais, entre eles, a vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz, Marly Cruz; a vice-presidente Adjunta de Educação, Informação e Comunicação e coordenadora do Programa VigiFronteiras-Brasil, Eduarda Cesse; a coordenadora Acadêmica, Andréa Sobrale o Coordenador de Emergências, Arbovírus e Inteligência em Saúde da Opas/OMS, Alexander Rosewell. Também estiveram presentes os vice-diretores de ensino das unidades envolvidas no programa, que deram as boas-vindas aos participantes da nova turma.

Eduardo Lima Garcia, secretário acadêmico da Fiocruz Amazônia, representando o vice-diretor de Educação da instituição, professor Cláudio Peixoto, abriu a cerimônia destacando o privilégio de o ILMD seguir integrando o programa pelo segundo ano consecutivo. “Contamos com 11 egressos no PPGVida, nosso programa de mestrado na área de Saúde Coletiva. Alguns desses ex-alunos já atuam no SUS, especialmente na região de tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia”, destacou ele.

Eduarda Cesse, coordenadora-geral de Educação da Fiocruz e do Programa VigiFronteiras-Brasil, iniciou as boas-vindas em nome de Christiane Ferreira da Silva, egressa da primeira turma do Programa e moradora do Alto Solimões. Ao apresentá-la, destacou: “Uma enfermeira que dedica a vida dela à vigilância”, ressaltando que “pessoas como ela, e como todos que estão aqui, estão envolvidas na construção desse Sistema Único de Saúde desafiador, principalmente em áreas onde a educação tem mais dificuldade de chegar, e faz parte da nossa necessidade, chegar com essas formações”.

A coordenadora-geral também enfatizou os desafios da formação, sem deixar de reconhecer seu potencial transformador: “São muitas disciplinas, são muitas noites de horas mal dormidas, mas isso tudo deve se transformar em prazer”, afirmou. Segundo ela, o  esforço é fundamental para que os profissionais se tornem “cada vez mais capacitados para construir o Sistema Único de Saúde”, destacando ainda a importância de experiências como o VigiFronteiras para inspirar “nossos irmãos sul-americanos”.

Alexander Rosewell, coordenador de Emergências, Evidência e Inteligência em Saúde da OPAS/OMS no Brasil, destacou o papel estratégico da formação em vigilância nas fronteiras. Ressaltando que o curso representa um investimento que ultrapassa o nível local e nacional, contribuindo para o fortalecimento da segurança sanitária regional, além de reforçar a importância de “formar profissionais qualificados, com visão integrada, capacidade analítica e compromisso com a cooperação internacional”.

A vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz, Marly Cruz, agradeceu a parceria com a Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde e com a OPAS, destacando que se trata de “uma formação muito estratégica”.Ela também ressaltou o compromisso da Fiocruz em oferecer uma formação de alta qualidade, enfatizando a importância do engajamento dos estudantes: “É fundamental contar com o compromisso e empenho dos alunos e das alunas para a construção da segunda edição do VigiFronteiras-Brasil com a mesma qualidade da primeira”. A vice-presidenta também ressaltou que dos 48 programas de pós-graduação da Fiocruz, o curso envolve 13.

Os 84 candidatos aprovados, 40 no mestrado e 44 no doutorado, conheceram o contexto de criação do programa, seus objetivos, o formato em consórcio, as instituições envolvidas e suas contribuições, além da equipe de coordenação, colegiado e suporte, em apresentação conduzida por Eduarda Cesse.

Na sequência, a coordenadora acadêmica do Programa, Andréa Sobral conduziu o painel de experiências exitosas de ex-alunos, que reuniu depoimentos de pesquisadores de diferentes regiões da América Latina.Yuri Consuelo, da Colômbia, com a dissertação “Vigilância Comunitária em Saúde e resistência descolonial na comunidade indígena Yararaca, de Vaupés -Colômbia, fronteira com o Brasil”; Guillermo Barrenechea, da Argentina, autor da tese A dengue e sua dinâmica de expansão na era do Antropoceno. Evolução nas Américas, comportamento na faixa de fronteira do Brasil e avanço em direção às latitudes extremas do continente; e Larissa Parra da Luz, do Brasil, com a pesquisa “Análise espaço-temporal das ondas epidêmicas da covid-19 na tríplice fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina”.

A coordenadora ressaltou que os trabalhos apresentados convergem para a importância estratégica da vigilância em saúde nas fronteiras. “A vigilância em saúde não pode ser apenas técnica ou biomédica”, afirmou, defendendo que ela deve ser “dialógica, decolonial e respeitadora dos saberes locais”. Para ela, as pesquisas demonstram ainda que a vigilância fronteiriça não pode ser uma simples extensão da vigilância nacional, devendo ser transfronteiriça, intercultural, integrada e preparada para o inesperado.

Andréa destacou ainda o orgulho pelas trajetórias dos egressos: “Cada um deles conseguiu construir, com muita dedicação, rigor científico e compromisso social, pesquisas que não apenas geram conhecimento, mas que respondem a desafios reais dos territórios de fronteira”. Segundo ela, são profissionais que levam adiante “o espírito crítico, ético e solidário que a vigilância em saúde exige”.

O encerramento foi marcado pela exibição de um vídeo com depoimentos de ex-alunos sobre a importância do programa. A cerimônia foi transmitida ao vivo pelo canal YouTube da VideoSaúde Distribuidora da Fiocruz, e contou com tradução simultânea para o espanhol e intérprete de Libras. Assista à cerimônia completa no canal da Fiocruz no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=7vQh6SyV5mI (português) e https://www.youtube.com/watch?v=cUAWVpFf_Dg (espanhol)

Conheça o Programa

O Programa VigiFronteiras-Brasil é uma iniciativa da Fiocruz em parceria com a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério das Saúde e com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). O objetivo é formar mestres e doutores para contribuir com o fortalecimento das ações e serviços de vigilância em saúde nas regiões da faixa de fronteira do Brasil e nos países vizinhos.